terça-feira, 27 de novembro de 2012

Capítulo 08


Corri na mesma hora até o pátio,não acredito que a quele maluco realmente pulou,onde é que tá aquele Nathaniel representante de turma certinho,gentil,e que tá sempre com um sorriso estampado no rosto,as coisas estão tomando um rumo tão estranho,não está igual ao jogo como deveria ser.Quando cheguei lá em baixo emcontrei Nathaniel preto de uma fonte que ficava no pátio,ele estava sentado todo molhado e com a foto na mão,a roupa estava toda molhado,suja e um pouco rasgada,as blusas desabotoadas,que faziam seu abdomen bem definido aparecer,oh céus como ele estava sexy.Cheguei perto dele e lhe estendi a mão para levantar.
– Você tá bem? - Perguntei preucupada, emquanto isso se formava uma roda de alunos todos curiosos para saber o que estava acontecendo,bando de inchiridos,não tem nada melhor pra fazer.
– Recuperei a foto. - Ele disse apenas isso e levantou,chegou perto de mim e sussurou no meu ouvido. - Vou querer uma recompenssa por isso Anne. - E foi embora.Varias pessoas cochichavam a respeito,ninguém sabia o que tinha acontecido. Alexy chega perto de mim e bagunça o meu cabelo.
– Oi pequena!
– Oi..Alexy. - Disse ainda olhando Nathaniel saindo.
– Tá,tudo bem? - Perguntou preucupado.
– Tá sim,só tô cansada,até mais Alexy!
– Thau pequena Anne. - Disse isso e resolvi sair logo dali,estava andando pelo corredor distraída e acabo esbarrando em alguém tão forte e acabo caindo no chão,quando vejo era um ser com pele branca,cabelos da mesma cor,com mechas pretas nas pontas,olhos bicolores,e roupas vitorianas.Ele me estende a mão.

– Desculpa senhorita,você está bem? - Perguntou ele,nossa ele era bem mais fofo pessoalmente.
– Tô sim,eu que pesso desculpas,tava distraída.
– Tudo bem,o que aconteceu para o Nathaniel estar todo molhado no pátio?
– È uma longa história... 
– Uma história que eu quero ouvir qualquer dia desses.Você conhece um parque aqui perto da escola?
– Não,me mudei pra cá faz uns três dias eu acho.
– Hum...Então,quer sair comigo no sábado?
– Claro,quero sim.
– Òtimo,então pego você na sua casa,as 15:30?
– Tudo bem.
– Tenho que ir agora,até mais Anne!
– Thau. - Disse isso e ele saiu,nossa vou ter um encontro com o Lysandre,acho que todas as fãs deles morreriam de inveja,ai que incrível,nem acredito que isso realmente tá acontecendo.Após horas na escola cheguei à casa de Wen algum tempo depois e guardei as compras no armário da cozinha(que eu comprei,esquici de mencionar que tinha fazido algumas comprinhas né?). Subi as escadas disposta a lavar minhas mãos no banheiro e descer para começar a preparar o jantar quando ouvi um ruído conhecido. Nem mesmo hesitei, fui correndo para meu quarto, escancarando a porta do guarda-roupa à procura do que queria.
E lá estava meu celular anunciando que eu recebera uma nova mensagem.Li a mensagem em segundos.
‘Anne, eu sei que você não respondeu minha última mensagem, mas não lhe culpo. Meu celular só funciona quando quer, imagino então que o seu esteja da mesma maneira... De qualquer forma, preciso que me responda assim que vir esta mensagem. Eu estou com tantas saudades de minha mãe e de meu pai, se você está em meu lugar assim como estou no seu deve estar com ela. Mas não lhe diga que estou falando com você, tenho certeza de que ela não entenderia tudo o que aconteceu, apenas me prometa que ficará de olho nela por mim está bem? Mell’.
Melody era mais observadora do que eu imaginava. A história do celular parecia bem lógica, ambos os nossos aparelhos tinham vontade própria e não deveria ser por acaso...
Resolvi responder-lhe antes que o meu falhasse de novo.
‘Mell, você conjecturou certo, meu celular também não funciona nada bem aqui, é algo que temos em comum. Agora tenho que lhe dizer a verdade. Eu conheci sua mãe, mas agora estou morando com Wen em Amoris City. Ela me mandou para cá porque precisava viajar a negócios com Harry. Ela é uma ótima pessoa e acredito que esteja bem; eu também sinto saudades de minha mãe, assim como de todos por aí, mas acho que teremos que aguentar até conseguirmos voltar à nossas respectivas vidas. Espero que você esteja se saindo bem - melhor do que eu ela deveria estar, duvidava muito que temesse ser assassinada naquela cidade sem graça -, se cuide. Anne’.
Mandei a mensagem e apenas um segundo depois o celular voltou a sair de funcionamento. Estava acostumada demais com aquilo para me estressar, pelo menos já havia respondido a mensagem de Mell, não queria fazê-la pensar que eu não me importava com o que ela me dizia. Eu queria que ela estivesse ali comigo, poderia usar ela como escudo de possíveis ataques vampíricos...
Desci para preparar o jantar e acabei ficando bastante ocupada com a macarronada que fazia. Decidi usar proteína de soja no molho, mas não contaria aquilo a Wen; duvidava muito que ele descobrisse que não se tratava de carne de verdade.
Eu já havia desligado o fogão há alguns minutos quando o barulho da viatura chegou até mim. Eu estava sentada na mesa da cozinha olhando despreocupadamente pela vidraça quando ele entrou em casa.
– A comida está com um cheiro muito bom - comentou ele ainda da entrada junto com Carol.
– Obrigada - respondi rindo internamente ao perceber que talvez meu plano de fazer Wen se alimentar melhor desse realmente certo.
Eu não sabia exatamente se Wen iria querer começar a conversar agora, mas esperava que não. Não estava com fome, havia feito o jantar somente para ele então decidi subir mais cedo para meu quarto.
– Charlie, não estou muito bem hoje, se importa se eu subir agora?
– É alguma coisa grave? Quer que eu a leve no hospital? - Ele parecia meio apavorado. Imaginei que se devesse ao fato de que estava cuidando de uma filha que não era sua e qualquer coisa que pudesse acontecer estaria sobre sua responsabilidade.
– Não, não é nada disso, apenas estou sem fome, obrigada por se preocupar. - Não esperei para saber se ele acreditara ou não em minhas palavras e fui em direção à escada.
– Tudo bem, boa-noite. - respondeu ele às minhas costas.
– Boa noite querida,durma bem! - Disse Carol,ela era sempre muito carinhosa e fofa comigo,de um jeito que minha mãe nunca foi.
– Boa noite.
Quando cheguei ao quarto e olhei à minha volta me senti uma tola. Eu estava me preocupando por nada, eu sabia que costumava fazer tempestades por coisas insignificantes e agora que eu admirava cada parte daquele cômodo eu via o que perdia com meus sentimentos exagerados.
– Como fui boba hoje - disse para mim mesma.
Eu ainda estava inexplicavelmente dentro do jogo que amava, não deveria me sentir tão alheia aos fatos. 
Agora que me permitira pensar nele: Nathaniel eu não conseguia me concentrar em nada mais.
Fiquei bastantes assustada,aquele garoto que me matar do coração?E o que ele dissera hoje mexeu muito comigo,Nathaniel me amava?Como?Ele nem me conhecia direito,e ainda por cima,Melody era apaixonada por ele,ela disse isso no episódio 12,onde eu descubro que violett é afim de Alexy mais ele é gay. Meu corpo me impedira de aproveitar o momento, mas agora que estava perfeitamente calma podia libertar a pequena parcela de mim que se encantara novamente com suas feições perfeitas,sério,quase não segurei e ataquei aquele garoto,como ele pode ficar tão sexy da quele jeito na minha frente?Só pode querer minha perdição mesmo.
Ele era enormemente desconcertante de se observar, ‘tudo nele era atrativo’.
– Ah, deixa disso, Anne! - me alertei à meia-voz.
Era perfeitamente aceitável que eu estivesse atraída por ele, seria incomum se aquilo não tivesse acontecido, mas mesmo assim não era algo que eu recomendaria para qualquer pessoa. Melody o amava,e eu dou apenas uma intrusa nessa história nem deveria estar aqui.
Me deitei na cama por cima do edredom que usava para dormir e minha mente foi invadida por todas as doces lembranças que tinha dos momentos em que ficava sozinha no meu quarto jogando aquela história sem nunca me cansar.
Eu entendia agora porque meus pais e amigos sempre estranhavam minha paixão por Amor Doce, eles nunca a entenderiam porque nunca haviam jogado de verdade essa história viciante e envolvente; eu sentia como se tudo o que estivesse escrito ali fosse possível e aplicava aquilo à minha própria realidade. Então o mundo real me desapontava por não ser tão maravilhoso como eu queria e eu voltava a me refugiar naquele conhecido jogo.
– É - falei desanimada - acho melhor parar de procurar pelo meu príncipe no cavalo branco... - e me virei para olhar a noite clara que adentrava minha janela.

Capítulo 07


As demais aulas passaram rapidamente, mas eu também pouco prestava atenção nelas,queria falar logo com Nathaniel,saber o que estava acontecendo com ele,e ainda tentaria ver se consigo mandar uma menssagem para Melody de novo.Imaginava que se ela também tivesse sido obrigada a ir à escola já devia ter feito alguma amizade e torcia por aquilo; não sabia quanto tempo poderíamos ficar em vidas que não nos pertenciam, mas desejava que ela fosse o mais feliz que pudesse pelo tempo que estivesse em meu lugar.
Enquanto ia para o refeitório eu observava Rosalya se sentar ao lado de Peggy e me perguntei como Melody estaria se saindo com minha mãe que costumava ser tão parecida com aquela sua amiga mais comunicativa e foi então que me dei conta de outra coisa que deixara passar.
– Castiel está olhando para você - cochichou Rosalya me tirando bruscamente de meus pensamentos. Castiel estava olhando para mim?
Pensei ter entendido errôneamente suas palavras e me virei num átimo para a mesa em que ele estaria.
Como Rosalya havia dito, assim que virei o rosto pude ver os olhos dele seguindo cada movimento que eu fazia. Será que ele sabia o quanto eu estava com medo dele? Ontem enquanto estávamos no banheiro eu realmente sentira que poderia morrer facilmente.
Voltei meu olhar para a bandeja a minha frente e tentei controlar minhas suspeitas para que Castiel não tivesse mais coisas para fofocar sobre mim.
– Você é corajosa de encará-lo depois do que aconteceu ontem - disse ela sem conseguir segurar seus comentários por muito mais tempo - eu mesma não sei nem se conseguiria voltar a ficar no mesmo ambiente em que ele estivesse.
Eu queria dizer a ela o mesmo que havia dito a Armin mais cedo, mas acabei tendo uma idéia que queria colocar logo em prática.
– Hum - disse e parti logo para o ataque. - Rosa, eu sei tão pouco sobre você, me conte mais sobre sua vida - sorri tentando parecer interessada.
Ela não precisou de um convite maior que aquele para começar a discurssar sobre seus hábitos, passatempos e etc. 
Quando o sinal bateu eu fui para minha sala, batendo um papo agradável com Armin e Alexy; quando Armin não tentava me passar cantadas sem-graça ele era bastante simpático e fácil de conversar.
– Então você nunca tinha vindo para cá? - perguntou Alexy a certa altura.
– Na verdade não, mas ouvi falar tanto daqui que sinto como se já conhecesse toda a cidade...
– Que legal. E onde você morava havia mesmo tantas praias como dizem? - Perguntou Armin.
– Muitas delas, uma mais linda que a outra! Eu fui poucas vezes, preferia mesmo ficar em casa, porque me queimo muito facilmente, mas acho que não existe nada mais magnífico que o mar... - disse, lembrando exatamente da imagem do sol esquentando a areia, da água fresca, das pessoas se divertindo à volta, como se a vida não fosse nada além daquilo.
– Você parece sentir muitas saudades - comentou Alexy provavelmente percebendo minha expressão realmente saudosista.
Nós já havíamos chegado à sala, lhe respondi enquanto passávamos pela porta.
– E sinto - concordei. Meu olhar então recaiu inevitávelmente sobre um garoto de cabelos ruivos, sentado ao lado de uma cadeira vazia .Castiel. Eu havia me esquecido completamente de que tínhamos biologia juntos. - Mas aqui as coisas às vezes são tão interessantes e estranhas que acabo me esquecendo de lá - completei enquanto o observava.
Olhei para Armin e Alexy, feliz por perceber que ele parecia não entender nada de que eu falava; sorri para ele e me encaminhei para a mesa do professor, disposta a me apresentar.
O sr. Banner me deu as boas-vindas à sua sala e eu agradeci. Ele me passou o livro que usaríamos em classe e depois me mandou sentar. Me virei e por algum milagre havia uma cadeira vazia no fundo da sala. Já fazia algum tempo que o sinal tinha soado então provavelmente ninguém mais chegaria para ocupá-la. Fui andando decidida para lá quando o professor chamou minha atenção.
– Anne, sente-se aqui ao lado de Castiel, será mais fácil para você se atualizar se ficar na frente. - disse ele.
Droga, droga, droga professor, porque o senhor não podia simplesmente ter me deixado sentar onde eu queria?
Eu me virei devagar e voltei para a carteira onde ele estava sentado. Ocupei meu lugar e peguei minhas coisas disposta a fazer o que o professor dissera ‘me atualizar na aula’.
O sr. Banner iniciou a aula dando uma grande explicação sobre Mitose, que seria a próxima matéria que estudaríamos. Eu anotava quando necessário, já havia estudado aquilo antes, mas não custava nada relembrar - e evitar ao máximo me lembrar de quem estava ao meu lado.
Depois de quase vinte minutos discursando ele nos passou uma série de exercícios do livro para fazermos e entregarmos na próxima aula e se sentou em sua mesa ocupado com alguns papéis que estavam ali.
Eu comecei a escrever meu nome em uma folha à parte onde colocaria as respostas das questões e sem querer acabei borrando meu sobrenome. Procurei pelo corretivo em meu estojo, mas antes que pudesse encontrá-lo uma mão muito branca me estendeu o que eu queria.
– Use - foi só o que Castiel falou enquanto colocava o frasquinho do meu lado da mesa.
Eu peguei o objeto devagar, esperando que não desse para notar meu iminente nervosismo e o usei rapidamente.
– Obrigada - falei enquanto o devolvia para Castiel.
Ele não respondeu, apenas continuou a resolver seus exercícios em silêncio. Eu fiz o mesmo, agora porém sem conseguir evitar meus pensamentos que me alertavam de sua presença a cada cinco minutos. Ele estava sentado na extremidade de nossa carteira; eu estava confusa e frustrada por não entender a razão que o fizera ser legal comigo desse jeito. Será que eu havia interpretado mal suas atitudes ontem? E se não tivesse, como ele poderia estar ao meu lado agora,sem me tratar mal,ou fazer suas ignorâncias comigo?
O sinal então bateu, cedo demais, e eu comecei a guardar minhas coisas sem ver ao certo o que fazia. A próxima aula seria educação física; eu não gostava particularmente daquela matéria, mas sabia que se me esforçasse conseguiria notas boas o suficiente para fechar o semestre.
Estava pronta para ir, me virei em direção à porta e destanquei onde estava.
Castiel ainda estava ali, ao lado da entrada. Eu não percebera até que olhei em sua direção. A sala estava vazia exceto por nós dois.
Eu o encarei, seus olhos estavam claros, de um dourado atraente, mas que me deu arrepios; ele estava bem na frente da porta me olhando... Senti um calafrio enquanto imaginava o porque de ele ainda estar ali,sabia que teria de agir como uma pessoa normal e sair da sala; ou pelo menos tentar sair.
Coloquei a mochila nas costas e olhei para baixo enquanto andava em sua direção; eu não tinha coragem suficiente para continuar olhando-o e sabia que se o fizesse não conseguiria acertar os passos.
Fui chegando ao portal, esperando que em algum momento ele desaparecesse como fizera na véspera, mas ele continuou parado onde estava.
Ótimo, agora sim eu morro, mas pelo menos pude ter a chance de vivenciar esta experiência maluca e irreal, pensei numa alegria sem sentido.
Por fim eu já estava há menos de um metro dele que continuava parado onde estava.
Respirei fundo o mais disfarçadamente que pude e levantei minha cabeça para olhá-lo.
Tente parecer normal, falei para mim mesma, faça o que uma aluna qualquer faria.
– Com licença? - falei sentindo minha garganta seca.
Ele continuava a me olhar e pude ver sua expressão se suavizar à medida que os segundos passavam. Finalmente então ele falou e eu me arrepiei ao ouvir sua voz rouca novamente.
– Você tem medo de mim? - perguntou ele.
Eu fiquei muda, completamente dura onde estava. Não conseguia encontrar as palavras para lhe responder. Porque ele estava me perguntando aquilo de uma forma tão calma? Era como se ele tivesse descoberto tudo o que eu pensara e sentira nos últimos minutos...
Fiquei quieta onde estava, sem conseguir desviar o olhar de seu rosto. Castiel se aproximou de mim inesperadamente e eu senti uma vontade incontrolável de gritar por ajuda, pois só o que conseguia imaginar era que ele estava prestes a me matar. Qual seria a outra explicação para ele agir daquela forma com uma pessoa que mal conhecia e que poderia muito bem espalhar para todos o relato sobre sua atitude estranha?
– O que você tanto teme? - perguntou, agora a poucos centímetros de mim.
Eu me vi presa de seu olhar hipnotizante e falei sem pensar.
– E-Eu não... - Castiel ainda me olhava com intensidade. 
– Olha,eu não costumo fazer isso,mais eu quero pedir desculpas,pelo modo que falei com você ontem.
– Tudo bem.
– Òtimo,até mais novata! - Disse ele saindo,quase tive um infarte agora,o que que tá acontecendo comigo gente?
Depois disso fui para o terraço da escola,no primeiro episódio com Castiel,ele te leva pra lá,só que ele pega as chaves na sala dos professores,só que eu não prescisei fazer isso por algum motivo já estava aberto,então entrei,mais não estava sozinha,Nathaniel estava sentado num muro,eu cheguei perto dele.

– Oi Nath.
– Oi Anne.
– Por que você e o Armin tavão estranhos um com o outro?
– Sério que você não sabe?
– Não,e o que é que é isso na sua mão? - Perguntei me referindo a alguma coisa que ele segurava,parecia uma foto.
– Achei uma foto sua quando tinha 5 anos tocando guitarra. - Disse ele rindo.
– O QUE??
– Foi difícil mais eu consegui. - Disse orgulhoso.
– Me dá essa foto!! - Disse tentando pegar a foto.
– Não,você era bem mais fofinha quando era pequena Anne! 
– Me dá isso! - Disse tentando pegar a foto de novo,mais dessa vez ela acabou caindo lá em baixo.
– Pode deixar que eu pego.
– Agente tá a metros de altura,é impossível você pular da qui e sair vivo,e se você descer pelas escadas vai demorar,e alguém vai pegar antes.
– Eu vou pular.
– O que?Não mesmo você... - Nathaniel me beijou,por alguns segundos.
– Eu te amo Anne. - Disse isso e pulou.

sábado, 24 de novembro de 2012

Capítulo 06


A estrada estava mais seca do que da última vez que eu dirigira por ela, mas eu tinha tantas coisas indo e voltando em meus pensamentos que mantive a mesma atenção nas ruas,o tempo daqui era bem estranho uma hora tava calor e outra hora tava frio.
Eu estava em Amoris City há pouco menos de dois dias e já me via com mais obrigações do que costumava ter em minha outra vida - se é que eu podia chamá-la assim.
Eu tinha de me acostumar com o hábito de lavar as roupas e fazer outros afazeres da casa; meus pais pagavam uma empregada para fazer tudo isso por nós, já que eles mal ficavam em casa. Eu passava alguma parte de meu tempo observando Marcela fazer as tarefas diárias e às vezes até pedia para lhe ajudar, pois não me sentia confortável de ficar parada enquanto ela limpava a bagunça que eu fizera. Minha mãe nunca soubera disso, é claro, mas agora eu ficava ainda mais feliz que tivesse aprendido algo, pois teria de me virar sozinha em boa parte das coisas daqui pra frente.
Esta era a parte fácil, por assim dizer. A outra parte se chamava ‘preparar as refeições’. Wen não havia me pedido para cuidar daquilo - nem de nada ainda, para falar a verdade -, mas eu sabia muito bem que seria mais saudável se eu cozinhasse ao invés de comer o que ele poderia querer fazer. Além do mais eu poderia escolher ingredientes que eram compatíveis com minha dieta e até tentar convencer Wen a consumir coisas diferentes das que ele estava não acostumado...
Quando estacionei a picape em frente a casa eu percebi que havia uma outra coisa rondando meus pensamentos da qual eu não poderia fugir por muito mais tempo.
Eu tivera uma manhã surreal para uma fã de Amor Doce como eu era, mas no fundo eu estava mais preocupada do que feliz. A pequena felicidade se devia lógicamente ao fato de eu ter visto todas aquelas pessoas que até agora eu só tivera a chance de imaginar... Cinco delas me animaram mais que as outras, na verdade. Pelo curto tempo que encarei a mesa de Castiel e Lysandre eu ficara tão desconcertada com o que causara à Castiel que mal pudera me deixar levar pelas outras emoções que apareceram ao fitar os rostos perfeitos que haviam ali.
Eu vira Lysandre novamente, sentado ao lado de Castiel escrevendo em seu bloco de notas.Nathaniel era um garoto bonito e ainda por cima engraçado,mesmo brigando com ele é impossível não rir,apesar que no jogo ele era mais certinho,e enm um pouco engraçado.
Ainda estava com todas aquelas dúvidas quando entrei na casa. Fora então que eu tivera uma idéia que parecia ser a mais promissora no momento; eu fui em direção à lavanderia e deixei o suéter ali decidida a lavá-lo mais tarde, depois subi rapidamente para o quarto e coloquei a mochila em cima da cama enquanto me virava para a mesinha com o computador que Wen arranjara para Melody. Não importavam quais fossem as minhas dúvidas eu sempre encontrava uma resposta pelo menos parcial para todas elas na internet.
O computador não era dos mais rápidos, eu me vi entediada somente de esperar ele ficar razoavelmente pronto para o uso. Por fim eu pude abrir a telinha da internet e pesquisar o que queria.
Fui primeiro ao assunto mais crucial e que consumia mais minha atenção e curiosidade. Pensei em uma forma de poder encontrar o que queria e acabei digitando Amor Doce porque não encontrara nenhuma forma mais curta de expressar minhas dúvidas. É claro que não surgiu nada coerente nas respostas. 
Acabei encontrando ótimas receitas de pratos vegetarianos e não muito extravagantes e anotei-as rapidamente. Resolvi fazer a mais fácil de todas porque não estava a fim de sair à procura de um supermercado naquele momento. Desliguei o computador e desci para lavar as roupas até que pudesse atingir um horário aceitável para preparar o jantar.
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Wen olhara desconfiado para a comida que eu lhe servira, mas pela sua cara ele acabara gostando e ficara feliz que eu fosse cuidar daquela parte em que ele não costumava ser dos melhores. Eu sorrira e dissera que era o mínimo que poderia fazer por ele ter me aceitado ali - e se não quisesse ter uma indigestão mais tarde, mas aquela razão, é claro, eu guardara para mim mesma.
Agora eu já estava de volta ao quarto, deitada na cama enquanto o sono não vinha. Ouvi então um barulho familiar vindo de dentro do guarda-roupa e levantei a cabeça curiosa. O mesmo ruído se repetiu baixinho e eu fui em direção a ele; assim que abri uma das portas de pinho pude ver meu celular piscando a luzinha de mensagem.
– Pensei que você não estivesse mais funcionando - comentei enquanto abria o teclado luminoso e selecionava a caixa de mensagens. Eu sempre as apagava e agora podia ver que haviam três novas que eu não notara antes, de um número desconhecido.
Abri a mais antiga e comecei a ler atenta.
‘Annabele se você estiver lendo esta mensagem, por favor, me responda. Melody.’
Melody... Oh, caramba, MELODY?
Abri a outra mensagem rapidamente agora muito surpresa.
‘Annabele eu sei que este é seu número, encontrei no celular de sua mãe, por favor, me responda. Eu preciso saber que você existe mesmo, não me lembro de ter lhe conhecido, mas todos aqui dizem que nós mudamos de casa por um tempo... É tão confuso. ME RESPONDA, por favor! Melody.’
Eu estava pasma acima de qualquer outra coisa. Não podia ser, Melody estava me mandando mensagens? Respirei fundo e abri a última que fora recebida há apenas alguns minutos.
‘Annabele eu sei que você pode estar me ignorando, pode estar que eu sou mais uma invenção, já que tudo isto parece ser tão estranho e irreal, mas EU SOU DE VERDADE! Se estiver lendo esta mensagem, por favor, me responda... Se você sabe como eu vim parar aqui me diga porque eu mesma não entendo nada! Melody.’
Meus dedos tremiam enquanto eu relia cada palavra que ela escrevera. Tive que me sentar e controlar minhas emoções antes de começar a digitar a resposta.
‘Melody - escrevi– eu estou aqui. Não respondi suas mensagens antes porque somente agora percebera que você as enviara. Meu celular não estava funcionando e estou surpresa que ele esteja bom agora. Eu estou tão confusa quanto você, acredite! - Eu tinha tanto mais para dizer a ela, além de tudo aquilo eu estava falando com Melody, uma de minhas personagens preferidas, mas deixei para enviar somente o que era necessário.– Me responda assim que puder, Anne.’
Selecionei a opção ‘enviar’ e fechei os olhos torcendo para que a mensagem chegasse à ela.
Melody havia dito que pegara o número de meu celular com minha mãe o que significava que ela realmente estava em meu lugar, em minha vida... Me senti um pouco mais calma por descobrir que eu não era a única a passar por tantas coisas novas e inexplicáveis. Pelo tom de suas mensagens ela parecia ainda mais confusa do que eu estava no momento, mas não era pra ser diferente. Eu sabia tudo sobre ela, enquanto Melody nunca ouvira falar de mim em toda sua vida. Devia ter sido um choque muito maior para ela ter se visto de repente perdida em um país tão diferente do seu próprio.
Me vi pensando em lhe contar sobre ‘Amor Doce’, tentar lhe dizer que ela era personagem de um jogo,que não era real... Eu teria esperanças de que ela compreendesse, mas sabia que isto dificilmente aconteceria.
O barulho da mensagem voltou a soar e minha mão voou para o celular.
‘Então você realmente existe? Bem, isto talvez signifique que eu não estou louca... Mas porque então todos aqui agem como se fôssemos amigas e tivéssemos combinado de trocar de lugar? Eu não me lembro de nada disso! A última coisa de que me lembro é de estar voltando da escola e de começar a atravessar a rua no mesmo momento em que um carro vinha em minha direção. Depois disso acordei aqui... É informação demais para mim, é só o que posso dizer! - Mell.’
Eu não acreditava. Melody passara pelo mesmo que eu, o mesmo tipo de acidente acontecera com ela...
– Acredite, eu estou tão confusa e surpresa quanto você - falei comigo mesma.
Ouvi uma batida na porta e escondi o celular entre as cobertas sem saber bem o porquê.
A cara de Wen apareceu no portal e ele me encarou meio desconfiado.
– Está falando sozinha? - perguntou enquanto olhava ao redor do quarto procurando por outra pessoa.
– Eu faço isso às vezes - dei de ombros tentando parecer indiferente. Eu nunca poderia contar a Wen que estava me comunicando com sua filha porque sabia que ele iria querer falar com ela também e naquela situação era melhor que isto não acontecesse. Já era difícil ter de falar com Melody, que vivia o mesmo drama que eu, imagine ter de contar a verdade absurda para seu pai que mal desconfiava da realidade?
– Hm... Está bem, boa noite.
– Boa noite, Charlie - respondi enquanto ele voltava a fechar a porta. Eu sabia que mais tarde ele voltaria sorrateiramente para ver se eu estava dormindo e se estava mesmo sozinha.
- Boa Noite querida,durma bem! - Disse Carol saindo da porta,sorri pra ela,e foi embora.
Eu abri o celular pronta para mandar uma nova mensagem à Melody, mas logo que comecei a digitar o aparelho pifou novamente.
– Que droga - sussurrei -, porque você tem de inventar de falhar justo agora?
Fiquei ali por consideráveis minutos enquanto esperava que o sinal voltasse, mas nada aconteceu. Por fim eu já estava cansada o bastante para ir dormir e decidi tentar falar com Mell pela manhã.
Parecia que mesmo que conhecesse aquela história como ninguém eu sempre me surpreendia com o que via, agora eu sabia muito bem quão grande era a diferença entre imaginar e presenciar algo.
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Abri os olhos e encarei o teto baixo de meu novo quarto. Tinha sonhado com os últimos momentos que tivera no Brasil e com as pessoas de que sentia falta; podia até mesmo sentir meu coração batendo apertado em meu peito por conta de toda a saudade que já sentia de todos eles... O que significava tudo aquilo? Me vi perguntando outra vez, mas sem nenhuma resposta. Se fora a minha paixão pelo jogo que me levara até ali tudo o que eu podia fazer era viver cada dia até que pudesse encontrar uma maneira de voltar para casa e trazer Melody de volta para o lugar ao qual ela pertencia.
– É, vou viver um dia de cada vez e não mudarei mais nada nesta trama. 
Levantei decidida e fui tomar um banho quente para me acalmar. Aproveitei para lavar meus cabelos que já estavam começando a ficar oleosos. Eu os mantinha sempre num corte muito grande e bastante lisos e pretos. Eu me parecia mais com meu pai nesta parte, já que minha mãe era completamente loira. 
Abri o guarda-roupa e peguei qualquer coisa para vestir. Quando desci Wen já havia saído para o trabalho e percebi que não poderia demorar se não quisesse ficar atrasada para a escola. Comi cereais com leite, escovei os dentes e saí mais uma vez para a manhã fria.
Encontrei a escola com muito mais facilidade; estacionei na primeira vaga que avistei e segui para a escola depois de avistar o Volvo estacionado há uma boa distância de onde eu havia parado. Aquilo não significava que Castiel estivesse ali.Eu não sabia dizer se preferia que fosse ele o motorista aquela manhã, não sabia se teria coragem de sentar ao seu lado na aula de biologia que teria aquele dia.
Eu havia checado o horário antes de sair, pois não queria ter de ficar consultando o papelzinho que a secretária me dera a cada final de aula. Me encaminhei para a aula de Inglês e percebi que as pessoas me encaravam tanto quanto haviam feito ontem. Eu não começara nada bem; já chamava atenção por ser nova na cidade, ainda tinha o fator que todos ali estavam roendo as unhas para tentar entender a razão de eu e Melody terem trocado de lugar, provavelmente imaginando um milhão de coisas horríveis com relação ao pobre do Wen... Acima de tudo isso então estava o showzinho que eu lhes providenciara com um dos alunos mais lindos da escola. Estava me achando boba por sequer imaginar que àquela altura as pessoas já tivessem se cansado de me encarar já que elas agora deveriam estar me achando ainda mais interessante de se observar...
Entrei na sala de cara fechada enquanto os alunos acompanhavam cada um de meus movimentos. Eles tinham sorte de que eu tivesse prometido a mim mesma que me esforçaria para acompanhar a história, caso contrário já teria mandado todos para o espaço por serem tão indelicados com sua curiosidade irritante.
– Olá  Anne- ouvi alguém dizer e não precisei me virar para ver quem era,e era Armin.
– Olá Armin - tentei parecer simpática e ao mesmo tempo breve em meu cumprimento.
– Você não se importa se eu lhe chamar assim não é? Ouvi falar que você corrigiu aqueles que lhe chamaram pelo seu nome completo...
Aquilo era verdade, eu dissera para Rosalya e Violett que preferia ser chamada de Anne, era mais curto e fácil de pronunciar.
– Não, tudo bem, eu prefiro Anne- respondi num tom leve. 
– Você parece estar muito bem, imaginei que não fosse aparecer na escola por uns dias depois do Castiel ter falado com você daquela forma no meio do refeitório - disse ele procurando puxar assunto, imaginei.
Então eu não estava errada, as pessoas realmente haviam visto tudo e deviam estar com o mesmo pensamento de Armin. As notícias nesta escola pareciam se espalhar rapidamente então decidi responder de uma maneira que servisse para Armin e para as demais pessoas com quem ele resolvesse compartilhar nossa conversinha.
– Não vejo porque, não é uma cara feia ou uma troca de palavras mal-educadas que me farão desistir de vir à escola, é preciso muito mais que isso para me assustar - falei e sorri em seguida esperando que depois disso ele e quem mais fosse parasse de me me julgar de uma forma tão simples e errônea.Nathaniel chegou na sala,me viu converssando com Armin e por algum motivo fez cara feia,os dois se encararão.Armin iria falr alguma coisa,mais o professor chegou na sla e ele não pode dizer mais nada,não entendi a reação de Nathaniel,vou converssar com ele depois.





Capítulo 05




A  aula passou rápido para mim que estava realmente tentando me concentrar no que o professor dizia, as matérias por aqui eram diferentes das que eu tinha então não seria tão maçante - nem tão fácil - ter de aprendê-las.
O sinal soou e antes de me levantar eu fiquei parada esperando que a próxima coisa acontecesse, mas para minha completa surpresa eu pude ver umas garotas se aproximarem de mim nervosas e sair da sala ao contrário do que eu esperava.
Aquelas só podiam ser Li,Amber e Charlotte, mas elas não vieram falar comigo como deveria ser...
Me dei conta de uma coisa que até agora não havia assimilado completamente. Apesar de estar ali, de tudo ser muito parecido com o que eu jogara era diferente será mesmo que já se passou o episódio 15. Além do mais eu já mudara bruscamente a história desde que surgira nela e fui piorando a situação enquanto me aprofundava. Enquanto saía da sala me vi desejando pela primeira vez estar em casa, no lugar ao qual eu pertencia ao invés de estar modificando totalmente meu jogo preferido.
Comecei a pensar naquilo enquanto me encaminhava para o prédio onde seria minha próxima aula. Algumas coisas eram mais exatas e outras totalmente aleatórias. 
Cheguei à sala e me lembrei de que aquela era a aula de trigonometria. Eu não era muito boa em matemática, mas sabia que se estudasse conseguiria notas razoáveis então nunca me preocupei muito com aquilo, agora também tinha coisas mais cruciais com que me preocupar, como as pessoas que começaram finalmente a criar coragem de perguntar diretamente pra mim suas curiosidades.
Uma garota ruiva se aproximou de mim,acho que ela era a Iris,ela me deu um abraço e me desejou boas vindas aso colégio,e foi embora.
O Sr. Valner que dava aquela aula fez questão de que eu me apresentasse, mas pelo menos não exigiu que eu fosse à frente da sala e no fundo eu fiquei feliz com sua atitude: me poupava algumas perguntas a mais que muitos ali já pareciam ter elaborado para mim.
Uma garota em especial na sala chamou minha atenção enquanto olhava para mim a curtos intervalos de tempo; era bastante faladeira e gesticulativa enquanto fofocava com a garota à sua frente. Não tive dúvidas de que se tratava de Rosalya que parecia ser ainda mais animada ao vivo.
Quando a aula acabou e eu sai em direção à próxima sala ela se aproximou de mim e se apresentou com vivacidade. Eu sabia que não demoraria muito para que aquilo acontecesse.
Ela perguntou sobre todo o tipo de coisa enquanto tínhamos nossa aula de espanhol e eu me vi começando a ficar irritada com sua falação interminável, pois me lembrava minha mãe com seus discursos diários.
– Então o Brasil é mesmo assim? Sem tribos andando pelas ruas e todo o resto? - Perguntou ela a certa altura e eu me segurei para não ofendê-la com raiva da imagem que ela tinha de meu país.
– Sim é, mas mesmo que se trate de um país com tantas etnias eu poderia afirmar que lá as pessoas são bem mais normais do que parecem ser por aqui - respondi sem me conter esperando que ela não adivinhasse minha verdadeira intenção e acabasse trocando a palavra ‘normal’ por ‘suportável’ que era o que eu gostaria de ter dito.
– Ah entendo - respondeu ela, mas continuou com o falatório sem fim o que significava que na verdade não havia entendido no sentido que deveria.
Finalmente o sinal bateu anunciando o horário do almoço e eu me levantei com pressa de sair dali, torcendo para que Rosa tivesse me achado quieta demais ou sem graça para que me seguisse.
– Você sabe onde é o refeitório? - Indagou enquanto eu guardava as coisas de volta na mochila. Eu realmente não sabia, mas tinha certeza de que teria menos problemas de encontrá-lo do que havia tido com a escola.
– Não, mas eu dou um jeito de encontrar. – Fui me encaminhando para a porta enquanto preferia um milhão de vezes me sentar sozinha do que ao lado da filha que minha mãe nunca soubera que tivera.
– Espere vou com você - disse para meu desânimo.
– Está bem. - Tentei sorrir para não parecer sem educação.
Rosalya continou falando enquanto eu ia com ela para o refeitório.
Caramba! Como aquela menina baixinha poderia ter tantas palavras dentro de seu cérebro?
Cruzamos a porta e ela me puxou para sentar ao seu lado na mesa que eu pude ver já estar ocupada por outros alunos. Ao presenciar aquela cena uma onda enorme de emoção tomou conta de mim. Castiel e Lysandre estavam em algum lugar do refeitório em que eu não olhara ainda. Me vi de repente nervosa demais para recusar o convite de Rosa procurar outro lugar para ficar. Eu queria estar devidamente sentada e calma antes de olhar pela primeira vez para a mesa que eles estariam ocupando.
Muitas cabeças pareciam me seguir à medida que eu movimentava pelo grande salão e aquilo absolutamente não me ajudou a ficar mais calma. Assim que me sentei uma garota de cabelo loiro cacheado,usava uma blusa que parecia um saco de batata virou para mim e disse:
– Annabelle ,então vamos comigo comprar algo para comer?
Não obrigada, eu quis responder, não pretendo ir a lugar algum com você, Amber.Mas sabia que chamaria ainda mais atenção se dissesse aquilo então apenas fiz que sim com a cabeça e me levantei.
Jessica nos seguiu sem nem precisar de convite.
– Então você é a garota que trocou de lugar com a Melody? - Perguntou Amber com um risinho debochado.
– Ao que parece sim. – Não me preocupei em evitar o tom seco em minha voz. Eu não era Melody e se aquela garota começasse a me infernizar ela teria que arcar com as consequências.
– Você não parece ser muito de conversar não é mesmo? No Brasil as pessoas não sabem que é falta de educação ser indelicado com os outros? - Provocou descaradamente.
Quem ela pensava que era para começar a me insultar em menos de cinqüenta páginas de história?
Eu me virei para Amber irritada e prestes a lhe responder da forma que merecia ouvir, mas no impulso não percebi que um garoto se virou com a bandeja para a direção em que eu estava e acabei esbarrando nele.
Foi tudo para o chão e para o meu suéter que ficou imundo por conta da comida que veio de encontro a mim.
Eu estava tão nervosa com Amber que me virei para o garoto disposta a gritar com ele mesmo que a culpa de tudo fosse praticamente minha e foi então que vi quem era.
Fiquei imediatamente sem fala ao encarar seu rosto. A raiva sumiu imediatamente dando lugar à outros sentimentos: felicidade, incredibilidade e acima de tudo emoção por estar fitando sua face. Ele sempre estivera em meus pensamentos e agora eu o contemplava tão de perto... Meu Deus como ele era incrível e desconcertantemente lindo. Nunca em meus melhores sonhos eu chegara a ver sua face tão bem.Mas em meio ao meu momento de devaneio eu não notara a forma com que ele me olhava até que falou pela primeira vez.
– Você é desastrada demais até mesmo para uma novata não é? - Sua voz musical estava cheia de impaciência. Ele estava nervoso comigo porque eu conseguira lhe perturbar duas vezes em um único dia, o que mais eu poderia esperar?
– Ah me des-desculpe - gaguejei surpresa com seu tom de voz mau-humorado. Em minha imaginação ele costumava ser mais educado.
Antes que ele pudesse responder senti um movimento perto de onde eu estava, alguém passou e balançou com força a capa lançando uma brisa que ia da minha direção para a de Castiel.
Eu não desviei o olhar do dele enquanto o observava se retesar estranhamente e sua expressão ficar furiosa, quase agressiva.
Compreendi tudo no mesmo instante. Eu não era mesmo Melody, mas entre as poucas coisas que tínhamos de diferentes é que eu sou muito pervertida,quando tiver uma oportunidade eu irei no verstiário masculino,tirarei fotos dos garotos se trocando e colocarei no teto do meu quarto.
Estávamos no meio de um lugar lotado de pessoas que nos observavam atentas, cochichando. Me virei rapidamente e corri para a porta do refeitório ignorando os olhares que me seguiam.
Eu havia visto um dos banheiros enquanto vinha com Rosalya mais cedo e decidir ir limpar o que conseguia do suéter que usava. Sabia que agora tinha tarefas que nunca tive antes - como preparar a comida, lavar a louça e as roupas – então cuidaria melhor dele quando chegasse em casa. Joguei um pouco de água em cima do pano grosso, mas me arrependi logo que o fiz. Estava muito frio e agora eu congelava por conta da parte molhada.
– Ótimo, o que eu faço agora? - Choraminguei enquanto tirava o suéter e tentava ver a dimensão do estrago. A blusa fina que usava por baixo ao menos ainda estava seca.
Ouvi um barulho às minhas costas e me virei assustada.
– C-Castiel? - Ele estava à minha frente me fitando com a expressão quase torturada.
Ele me seguira até aqui e estávamos sozinhos.Será que eu deveria gritar? Será que alguém ouviria algo antes que ele me silenciasse?Ou será que eu deveria agarra- lo e fazer coisas pervertidas?
Eu tremi enquanto o encarava.
Castiel se aproximou um passo de mim e eu fiquei tensa onde estava. Eu iria morrer sem ao menos ter a chance de descobrir como fora parar ali? Não era justo...
Fechei os olhos e cobri o rosto com as mãos tentando juntar os pensamentos em minha cabeça. Os abri um segundo depois e o banheiro estava vazio. Olhei à minha volta cautelosamente, mas não havia sinal dele em nenhum lugar dali.
A porta do banheiro se abriu com um estrondo e eu pulei de susto, mas logo me recompus quando vi Rosalya entrar acompanhada de outro menina, uma garota magra de cabelos roxos, com a expressão tímida. Reconheci Violett e sorri agradecida de que ela estivesse ali e não Amber.
– Anne você está bem? Estávamos te procurando... Achei que você estivesse chorando por causa do jeito que o Castiel falou com você. - Rosalya estava aparentemente desapontada que meu rosto não revelasse nenhum vestígio de lágrimas apenas de surpresa por tudo o que havia passado esta manhã.
– Eu estou bem - tentei controlar minha voz. - Apenas sem saber o que fazer quanto a meu suéter, ele está completamente sujo e molhado.
– Eu tenho um em minha mochila - disse Violett. - Minha mãe sempre insiste que eu traga roupa reserva para o caso do tempo ficar pior, o que não acontece muito - completou sorrindo. Não precisa ser simpática comigo Violett, eu já gosto de você, pensei,na verdade entre todas as personagens femininas a Violett era a minha preferida.
– Obrigada de verdade - respondi sorrindo de volta.
Violett trouxe o suéter para mim e se apresentou. Eu fingi não saber seu nome e fiquei conversando com ela e Rosalya enquanto colocava a nova roupa e dava um jeito de secar o que podia da outra para que não molhasse demais minha mochila.
Depois nós voltamos ao refeitório e eu consegui comprar algo para comer sem muitos problemas.Castiel claramente não voltara e eu fiquei imaginando se ele estaria à matar aula.
Não fora dessa forma que eu imaginara meu primeiro encontro com Castiel. Na verdade nenhuma das formas que eu sonhara com este momento me envolviam presa dentro da história da forma tão real que eu parecia estar agora.

Capítulo 04




Acordei com o sol batendo no meu rosto. Olhei pensativa para a janela, naquele quesito em especial eu estava em Amor Doce, não gostava muito do sol,prefiro o clima frio e seco,mas era melhor começar a me acostumar.
Levantei-me e tomei banho antes de descer para o café. Antes de dormir eu havia arrumado as coisas para levar à escola, usaria a mesma mochila que havia trazido com as roupas de Melody na véspera, provavelmente a que ela também escolheria se estivesse em meu lugar.
Wen e uma mulher loira já estava sentado à mesa tomando seu café. Eu dei bom-dia e ele me indicou o cereal e o leite para que eu me servisse. Acabei comendo algumas torradas também.

- Anne essa aqui é Carol,minha noiva.
- Prazer.
- Nossa você tá tão fofa com essa roupa da Melody!! - Disse ela sorrindo e babando.
- Ah,obrigada...Eu acho.
Logo estava na hora dele sair para o trabalho, me desejou boa sorte com a escola antes de fechar a porta.Depois que pude ouvir o barulho da viatura se distanciando comecei a sentir o nervosismo no fundo de meu estômago.
– Eu poderia fingir estar passando mal e faltar hoje - falei pra mim mesma, mas depois ignorei a idéia.
Era ridículo que eu estivesse ansiosa de encontrar um monte de pessoas que até onde eu sabia deveriam ser de mentira, mas eu estava. Talvez fosse só o medo de não ser aceita... Eu conhecia aquela história muito bem, poderia dar um jeito de ficar mais calma.
Resolvi subir para pegar minha mochila. Eu usava blusa de manga longa que estava dobrada e suéter meio rosa,vermelho nãos ei definir bem,uma saia um pouco rodada preta, uma meia até os joelhos preta e uma sapatilha.Por fim já estava tarde o suficiente para que eu pudesse sair. Peguei as chaves em cima da mesinha do computador e parti para a porta da frente.
Logo que cheguei à picape, porém voltei a ficar ansiosa e animada. Iria dirigir sozinha sem meu pai me dando ordens a cada minuto. O cheiro da caminhonete era mais agradável do que eu pensara ser possível; tabaco e gasolina em sua maioria.
Respirei fundo e girei a chave na ignição. O barulho ensurdecedor me fez pular no banco de susto, era a única coisa que eu gostaria de poder evitar. Chamava muita atenção, me senti ainda mais dirigindo uma arma de ataque e comecei a rir com a idéia. Depois tentei me acalmar para manobrar o carro em direção à rua.
– Vamos lá, Anne você já fez isto um milhão de vezes com um carro menor e bem menos ruidoso é claro, mas mesmo assim não deixa de ser um carro...
A direção era mais dura do que a do carro de meu pai obviamente, mas preferi assim porque precisaria de atenção dobrada e eu teria menores chances de causar qualquer acidente.
Acabei pisando fundo no acelerador enquanto seguia pela rua molhada e passei de raspão pela caixa de correio de um de nossos vizinhos. Por sorte a rua estava vazia naquele momento e eu fiquei rezando para que ninguém fosse contar a Wen que suas suspeitas com a minha forma de dirigir poderiam estar corretas.
Enquanto virava a esquina me dei conta de uma coisa crucial: eu não sabia onde ficava a escola.
– Droga! Vou dirigir até o infinito antes de acertar o caminho - resmunguei.
Avistei uma mulher vindo em minha direção na calçada, com um saco de compras nas mãos e resolvi lhe pedir alguma informação, afinal quem tem boca vai à Roma. Ela foi bastante simpática e tentou me explicar da melhor maneira que pôde, pelo que parecia não era muito difícil de encontrar, era só seguir a estrada principal. Agradeci e segui para a direção que ela indicara, desta vez acelerando um pouco mais com medo de acabar chegando atrasada em meu primeiro dia de aula.
Foi neste momento, enquanto estava concentrada em meus penssamentos que quase bati em um carro que fazia a ultrapassagem, entrando à minha frente. Eu não havia notado ele passar rapidamente por mim e quando percebi já estava a centímetros de seu pára-choque traseiro. Freei bruscamente e afundei a mão na buzina sem querer chamando a atenção até mesmo dos pedestres à minha volta.
Só então olhei para a frente e notei o formato do carro, sua cor, e por último a marca: as letras formando a palavra Volvo podiam ser lidas enquanto brilhavam com o restante do chassi.
Tive que colocar as duas mãos no volante segurando-o com força para continuar na estrada. Enquanto o carro se distanciava de mim atingindo uma velocidade que eu não podia alcançar com aquela picape eu pude ver alguém olhando rapidamente pelo espelho retrovisor do lado do passageiro; um par de olhos bicolores que logo voltaram a focar a frente da estrada. Reconheci Lysandre no mesmo instante e tive que respirar fundo para controlar minhas emoções.Agora eu confirmara de quem se tratava e tive a resposta para minha pergunta: sim, os personagens do jogo existiam ali também e agora deveriam me achar a pessoa mais desastrada do planeta.
Eu ainda podia avistar o carro ao longe e continuei dirigindo com mais cuidado ainda - se é que era possível - enquanto os seguia esperando que estivessem indo à escola como eu estava, assim eu não teria como errar o prédio.
Menos de cinco minutos depois eu já podia avistar uma construção grande e promissora. Enquanto desacelerava vi a placa de identificação e suspirei aliviada por ter chegado ao lugar certo,o colégio era realmente enorme.
Adentrei o estacionamento e parei o mais perto que pude da entrada da escola para que pudesse evitar me molhar desnecessariamente. Respirei fundo e peguei a mochila nervosa com o que ou com quem poderia me deparar naquele dia. Sai da picape trancando-a e avancei para debaixo do telhado mais próximo. Foi então que me lembrei que havia me esquecido de uma coisa.
– Droga! - Reclamei ao ver que teria de voltar o caminho todo que fizera em direção à secretaria para pegar meu horário escolar.
– Precisa de ajuda? - Ouvi alguém dizer e me virei para ver quem era.
Me deparei com um garoto moreno de olhos azuis sorrindo para mim de forma simpática. Armin? Senti uma vontade imensa de pular no seu pescoço e abraça-lo durante toda a eternidade.
– Está tudo bem, obrigada - respondi sem conseguir evitar uma risadinha.
– Você é Annabele Chase não é?
– Só Anne- sorri tentando parecer simpática.
– Ouvi falar,você e Melody trocaram de lugar não é?- Comentou ele confuso.
– È sim.– respondi. - Armin tenho que ir agora, estou com um pouco de pressa.
– Como sabe meu nome? - Perguntou ele, me pegando de surpresa.
Simples, pensei, eu sei praticamente tudo sobre você e sobre qualquer outra pessoa desta cidade que tenha aparecido no jogo, eu sei mais sobre vocês do que vocês mesmos e agora estou aqui vivendo uma história que não é minha e quase batendo em um certo carro prateado e carro do qual eu pretendo manter distância a partir de agora...
– Hmmm... – E agora como eu sabia o nome dele? Ou como eu, pelo menos, poderia dizer que sabia de uma forma plausível? Avistei um grupo de alunos que olhava em nossa direção de forma curiosa e tive uma idéia que poderia ser convincente. - Eu ouvi quando seu colega lhe chamou assim - respondi torcendo para que ele acreditasse.
Armin me olhou quieto por alguns segundos mas depois sorriu novamente e eu suspirei de alívio por ele ter caído nessa. Antes que pudesse falar mais alguma coisa eu acenei e fui correndo em direção à sala dos representantes.
Cheguei bati na porta,e entrei,ali encontrei um menino loiro dos olhos ambeas:Nathaniel,tinha certeza.Ele me olhou surpreso e logo abriu um sorriso"Típco dele" ele me entregou os papéis de que eu precisaria para aquele dia e eu voltei para o lugar onde falara com Armin há alguns minutos. Pude avistar um carro brilhante ali perto; eu havia realmente estacionado bem longe do famoso Volvo de Alguém e fiquei feliz pela coincidência.
Meu horário me informou que minha primeira aula era no prédio três como eu já imaginava, pelo menos não tive muitos problemas para identificar o local já que haviam os famosos números indicando cada parte da escola.Acabei esbarrando em alguém,quando vi era um garoto,de olhos verdes e cabelo castanho,usava roupas de militar, já sabia quem era:Kentin.
- Me desculpa Kentin.
- Não foi nada,espera ...Como sabe me nome?
- Posso dizer que apenas sei. - Disse isso e sai acorrendo,não sabia o que dizer pra ele.
Encontrei minha sala e segui decidida para ela. Sabia que ficar nervosa não me ajudaria em nada além de talvez pagar micos ou causar outro quase acidente.
Quando entrei percebi pela primeira vez como a sala era realmente muito menor do que as outras em que eu já havia estado. Fui até o professor que me olhou interessado quando cheguei ao seu lado.
– Annabelle Chase? – Indagou.
Quase toda a classe se virou interessada para o lugar em que eu estava.
Comecei a cogitar a idéia de andar com uma plaquinha de neón acima de minha cabeça onde estaria escrito: ‘Oi,eu sou a novata!’.
– Sim. – respondi.
O professor me fitou por alguns segundos, mas logo me passou um papel com os livros que eu teria de ler para sua aula e me mandou escolher um lugar para sentar.
Agradeci a ele e a Deus por ainda haverem carteiras vazias no fundo da sala onde eu poderia evitar os olhares que eu recebi quando entrei na escola.
Estava tranquila, acho que não teria tantos problemas assim,mais sei que algum dia vou acordar desse sonho,se isso realmente for um sonho,e vou voltar para minha vida chata e normal.

Capítulo 03




– Hum...Então Mell conseguiu se livrar de voltar para Amoris City não é? - Ele perguntou enquanto dirigia pelas ruas encharcadas. Eu reprimi um sorriso ao ouvir ele chamá-la de ‘Mell" ,dava pra ver o amor de pai mesmo em suas palavras. - E meu nome é Wen caso queira saber.
– Legal.É sim... - Pensei antes de continuar para não dizer nada exagerado. - Ela só queria conhecer outro país e outra cultura sabe como é e coincidiu de eu querer o mesmo ao mesmo momento.
Wen quase bateu o carro ao ouvir minha resposta então ao que parecia eu realmente tinha exagerado, só não sabia em quê.
– Outro país? Melissa me disse que ela não sairia daqui, como ela pode ter ido para outro país?
Hum então foi isso.
– Você conhece a Melody, Wen ela é bem corajosa a ponto de sair daqui. E, por favor, não culpe Melissa por não ter lhe contado antes, ela deveria estar evitando preocupações desnecessárias - pedi torcendo para que ele me ouvisse.
Wen apenas rosnou um ‘vou tentar’ e continuou a dirigir agora mais cautelosamente.
O restante da viagem foi bem calmo. Eu obviamente percebi muito bem o quanto Wen ‘gostava’ de conversar e não quis importuná-lo com mais nada com medo de que pudesse deixar escapar qualquer outra informação crucial; investi meu tempo em olhar para fora do carro e ver a notável diferença entre a paisagem à medida que nos aproximávamos cada vez mais de Amoris City.
Eu me sentia uma intrusa, não podia negar. Estava vivendo uma vida que nem era minha, mas me consolava em saber que não era minha culpa que eu tivesse acordado inesperadamente no lugar de Melody,mais por que justo ela?
Chegamos finalmente a um lugar que já havia se tornado atração turística: a placa de boas-vindas a Amoris City. Senti uma raiva tremenda de que meu celular tivesse pifado de vez justo quando eu mais pecisava dele, deveria ter perguntado à Melissa se ela teria uma câmera para me emprestar, mas na euforia do momento mal tinha pensado naquilo.Mais não enportava estava doida para ver meus personagens preferidos.
Wen dirigia calado e pensativo, sempre acenando para um ou outro morador que olhava curioso o interior do carro. Percebi tardamente que não era exatamente Wen que lhes chamava a atenção.
-Acho que tô chamando atenção né?
Wen me olhou por um minuto e respondeu meio sem-graça.
– È que,Melody morava comigo a alguns anos e na sexta - feira,depois de um show de Rock que teve na sua escola,ela resolveu viajar teve aquela coisa de trocar de lugar com você,achi bem estranho,vocês adolecentes,não toman jeito.
– Ótimo. - falei desanimada. Fiquei imaginando se ela saiu depois de um show de Rock significa eu já tinha passado do episódio 15,logo afastei este pensamento para não ficar mais nervosa e criar expectativas.
- Você vai gostar de Swett Amoris. - Falou ele sorrindo.
Realmente Wen tinha seu jeito próprio de se expressar, mas eu gostava dele e não previa grandes problemas em nosso relacionamento. Assim como Melissa e Harry.
– Espero... - Respondi tentando sorrir.
Cerca de dez minutos depois havíamos chegado à sua casa e me vi ansiosa para conhecer logo o interior.
Wen me ajudou a levar a pouca bagagem que tinha para o quarto que seria meu pelo tempo que estivesse ali. Eu passei pela porta de entrada e tive que conter a emoção que se apoderava lentamente de mim ao observar cada canto daquela tão conhecida casa.
Wen me mostrou rapidamente cada um dos cômodos e depois colocou minha mala no chão do quarto de Melody, de meu quarto...
– Hum...Acho que Melody gostava daqui. - Comentou olhando para a parede. - Se quiser que mude algo me fale - completou ainda sem olhar para mim.
– Está perfeito Wen, eu sei que Melody também gostava tanto quanto eu, obrigada por se importar comigo - sorri para ele que apenas acenou com a cabeça e saiu dali me dando um pouco de privacidade.
Sentei na cama e olhei à volta um pouco esgotada. Mesmo que já estivesse naquela nova vida há algumas horas, não deixava de ser algo diferente e completamente estranho para mim. O que eu iria fazer ali sendo que a personagem principal estava ausente? O que será que Mell estaria fazendo - se é que ela realmente estava - em minha casa? Eu, às vezes, não sabia bem o que pensar...
– Annabele - ouvi Wen chamar do andar de baixo.
Desci para ver o que ele poderia querer comigo.
– Pode me chamar de Anne, é mais fácil de pronunciar - comentei.
Ele me olhou de cima a baixo antes de responder.
– Está bem - murmurou e eu novamente percebi que ele estava sem graça. Fiquei esperando sem saber o que poderia ter acontecido desta vez. - Venha aqui - disse ele por fim, me levando para a entrada da casa.
Eu o segui até a lateral do terreno inicialmente confusa com seu ato, mas então vi do que se tratava.
Ali ao lado estacionada perto da floresta estava uma caminhonete preta era bem bonita.
Eu não a vira porque tinha vindo pelo outro lado da rua com Wen, mas agora podia admirá-la de perto.
Era enorme; fiquei sem fala enquanto a observava.
– Este era o presente de Melody, mas como ela não veio Melissa disse que você já tem dezessete anos então já pode dirigi-la, de forma correta e cuidadosa é claro – Wen parecia aparentemente preocupado que eu fosse alguma maluca que gostava de participar de corridas clandestinas ou alguma coisa do tipo - o que seria praticamente impossível com um veículo daqueles.
– Caramba! Wen você vai me deixar usar um presente que deveria ser da Melody? Não, não posso fazer isto. - Mas não podia negar que estava morrendo de vontade de dirigi-la.
Meu pai sempre que podia me dava aulas de direção com o pretexto de que assim eu teria mais chances de passar nos exames da auto-escola da primeira vez que os fizesse e ele economizaria o dinheiro de qualquer outra possível prova. Não perguntei sobre a carteira de motorista, seria bem capaz que alguma tivesse sido conjurada para mim como parecia ser tudo mais ali.
– Ela está usando suas coisas, nada mais justo. - Ele pegou a chave no bolso de sua jaqueta e me entregou. - Só tome cuidado com o trânsito está bem?
Eu fiz que sim com a cabeça e agradeci eufórica antes de correr para a picape.
Me sentei e coloquei as mãos ao volante antecipando a emoção que sentiria ao dirigi-la pela primeira vez.Ao me sentar ali eu me senti ao controle de uma arma poderosa, possivelmente capaz de causar bastante destruição se quisesse. Talvez fosse isso que Wen temesse: que eu me empolgasse demais e começasse a atropelar as caixas de correio da vizinhança. Ri baixinho com o pensamento.
Resolvi voltar para dentro pois estava usando apenas um casaco fino que havia pegado de Melody. Eu tinha muito sorte de nós usarmos praticamente o mesmo número em sapatos e roupas ou teria problemas com minha vestimenta. Mas depois pensei que nada deveria ser sorte, eu deveria estar ali por um propósito que ainda não sabia qual era, mas estava disposta a descobrir.Apesar de Melody se vestir toda certinha para escola como mostrava no jogo ela tinha algumas roupas bem ousadas outras do etilo mais rockeiro, fiquei bem surpresa com aquilo,acho que ela só usava aquele tipo de roupa por causa do Nathaniel.
Wen estava sentado na frente da televisão assistindo ao costumeiro jogo de basquete. Fui falar com ele antes de subir para guardar tudo o que havia trazido.
– Obrigada de verdade Wen, mal vejo a hora de dirigi-la.
Ele se virou pra mim.
– Bom, pois isto será exatamente amanhã pela manhã quando for para a escola com ela.
O quê? Droga, cada pequena coisa ali parecia prender tanto minha atenção que eu mal tivera tempo para pensar no que mais prematuramente me esperava.Minha pesonagem também iria para escola depois que chegara a cidade.Por que eu deveria esperar que comigo fosse diferente?
– Ótimo. Escola...- falei mais baixo.
– Você vai gostar pode ter certeza!- Disse Wen virando novamente para mim.
– Vou subir para arrumar minhas coisas - anunciei querendo sair dali.Como ele não disse mais nada eu corri para o quarto.
Parei por um segundo refletindo e decidi fazer o mesmo que Melody teria feito se estivesse aqui: guardei tudo em seu devido lugar e fui para o banheiro tomar um banho rápido. Eu pessoalmente não costumava ser uma garota muito pontual ou rápida em minhas tarefas, mas não estava disposta a ser a razão da conta de água vir mais cara ao final do mês.
Estava frio quando voltei para o quarto, resolvi vestir um short meio rasgado e uma belusa larga com detalhes pertos,algumas taxas e uma caveira no meio,que encontrei entre as coisas de Melody e me deitei embaixo do cobertor disposta a descansar um pouco do dia de viagem.Eu conhecia a história tão bem que duvidava que chegasse a precisar do computador em qualquer momento. Comecei a pensar em Melody e no que ela poderia estar fazendo naquele momento. Será que estava tão confusa quanto eu? Eu não conseguia imaginar ela respondendo às perguntas de minha mãe que era sempre tão curiosa e faladeira com as pessoas, imaginei que acabasse se dando melhor com meu pai que também tinha seus sermões sempre prontos, mas era mais fácil de lidar. Alguma coisa seria igual ao jogo, pelo menos. Melody gostaria mais de seu pai do que de sua mãe ‘provisória’.
Mesmo que meus pais ganhassem o troféu por pegarem tanto no meu pé eu já sentia uma enorme falta deles, era estranho ter aquele silêncio à minha volta, estava acostumada a sempre ter que ouvir eles conversando sobre a vida, os negócios, meu futuro, etc., coisa de pai e mãe. Ao pensar nas pessoas das quais sentia falta acabei me lembrando de Layla e Rachel. Sabia que se não estivesse aqui eu estaria com elas agora,até que eu fora atropelada - pelo menos foi o que pareceu - e acordara misteriosamente dentro de um dos jogos mais românticos que conhecia.
– Pois é, que conhecia. - Murmurei amargamente comigo mesma.Depois de tanto refletir eu já estava cansada o bastante e acabei adormecendo em segundos.
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– Anne.
Acordei com alguém me cutucando, abri os olhos e me deparei com Wen me olhando. Levei um segundo para me lembrar de que não estava mais em casa e de que não precisava surtar por ter o pai de uma personagem de um jogo no meu quarto.
– Oi Wen.
– Você não vai jantar? - Eu percebi que estava mesmo com fome, mas sabia muito bem da fama que Wen tinha com a cozinha, talvez fosse melhor recusar... - Eu pedi pizza, venha comer - completou ele me livrando de passar fome até a manhã seguinte.
Wen saiu do quarto e eu gemi logo em seguida. Ele havia pedido pizza, eu não havia lhe dito que era vegetariana então provavelmente haveria ingredientes que eu não comeria. Teria que me virar com qualquer outra coisa.
Dobrei o cobertor e desci para lhe encontrar. Ao chegar à cozinha pude ver aliviada o conteúdo de uma das embalagens abertas em cima da mesa.
– Esta aqui é de calabresa e esta outra é alguma mistura de queijo e esses outros ingredientes lights. Vocês mulheres tem essas frescuras de monitorar os quilos, pensei que talvez você preferisse algo assim.
Ele fez uma careta de nojo enquanto olhava para a pizza e eu tive que me segurar para não rir de sua expressão.
Eu nunca fora vaidosa para chegar aquele ponto de contar as calorias, mas daquela vez ficara feliz que ele tivesse acertado no pedido.
– Eu fico com esta mesmo Wen, está ótimo! - Exclamei alegre e ele apenas assentiu enquanto se sentava para comer sua parte.
Não conversamos muito enquanto comíamos. Eu sabia que Wen ficava mais tranquilo daquele jeito e tentei ficar calada o máximo que conseguia. Uma vez ou outra perguntava-lhe alguma coisa banal sobre o trabalho ou sua própria vida; depois de responder ele voltava a comer e eu lhe dava algum tempo antes de passar para as próximas questões.
Depois que terminamos estava tarde o suficiente para eu já poder ir dormir, mas como havia cochilado à tarde não me sentia nada cansada. Decidi ficar um tempo na sala assistindo televisão com Wen. Ele perguntou se havia algum programa em especial que eu gostaria de ver, mas lhe assegurei que não tinha problema nenhum com os que ele costumava assistir. Não era muito fã de esportes nem nada disso, mas aquela era uma situação diferente; eu inexplicavelmente estava na casa de Wen e Melody, me sentia simplesmente feliz por poder compartilhar de seus passatempos.

Capítulo 02


Capítulo 02



Eu ainda usava a mesma roupa da véspera, a única coisa que tinha para levar era meu celular que insistia em não funcionar de jeito nenhum.
Depois da última descoberta que fizera tudo à minha volta parecia ser capaz de prender minha atenção; eu ficara sentada na cadeira que ficava ao lado de fora da casa e que dava para o jardim grande e iluminado de Melissa. Estava impressionada demais com o que presenciava para sequer conseguir emitir uma palavra. Já havia se passado quase meia hora desde que eu acordara na cama de Melody. Sim, aquele era o quarto dela e eu ficara uns bons momentos olhando cada coisa, encantada demais com o que via.
– Anne você não quer tomar banho e trocar de roupa antes de irmos? - Melissa apareceu na janela da frente usando agora chapéu e óculos de sol.
– Claro nem havia pensado nisto. - Me levantei no mesmo momento, acompanhando-a para o interior da casa.
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Estávamos no carro, Melissa e Harry - que era mais jovem do que eu pensava - na frente e eu no banco de trás aproveitando o vento morno de verão que entrava pelas janelas abertas.

Melissa dissera que o aeroporto não era muito longe dali, por mais incrível que pudesse parecer eu tinha todos os documentos necessários em ordem, ela me disse que eu havia trazido-os comigo na véspera e, sinceramente, àquela altura eu não desconfiava mais de nada.

Comecei a me sentir ansiosa por ter de viajar sozinha , ainda era como se tudo fosse uma mistura bem estranha do verdadeiro e do surreal. Eu passara a última hora buscando uma razão para que aquilo estivesse acontecendo comigo. Se estivesse mesmo em coma o susto que levara ao perceber que me tornara estranhamente uma personagem de meu jogo preferido com certeza teria sido suficiente para acordar até mesmo os demais pacientes do hospital.

Eu me sentia tola por não ter percebido antes a reviravolta que estava causando em minha própria vida ao trocá-la por aquele meu vício desenfreado, agora eu havia certamente atingido o nível mais alto que uma fã poderia atingir: literalmente viver a história.

Havia pensado em tudo o que era possível. Fiquei imaginando se poderia ser verdade que Melody estivesse mesmo em meu lugar - e me sentindo uma completa imbecil ao sequer cogitar que um personagem pudesse estar vivendo minha vida, mas eu não estava fazendo o mesmo com o mundo que era dela? Bem, então se ela estava lá eu com certeza não era a única com um grande problema para resolver.

– Estamos quase chegando - anunciou Harry enquanto pegava uma via alternativa para sair da rodovia.

Era um lugar enorme, eu havia entrado em um avião poucas vezes na vida, mas nunca vira um aeroporto tão grande quanto aquele. Senti um arrepio de excitação ao perceber mais uma vez a importância daquilo tudo, eu estava dividida entre a alegria que sentia e a preocupação de estar tão longe de casa.

Estacionamos o carro e subimos para o maior terminal: o quatro.Melissa e Harry se sentaram comigo para esperar a partida do avião. Enquanto esperava uma idéia surgiu em minha cabeça. Eu vira um conjunto de lanchonetes enquanto vinha me sentar aqui - não havia comido praticamente nada aquela manhã - então decidi comprar algo para matar a fome e aproveitar para confirmar uma suspeita que surgira em meus pensamentos.

– Melissa estou com um pouco de fome, você se importa se eu comer algo antes de ir? - Perguntei enquanto ela e Harry conversavam sobre o longo caminho que teriam de enfrentar até a Flórida.

– Claro que não. Quer que eu vá com você? Pode acabar se perdendo.

– Não, tudo bem. - Interrompi-a e logo me levantei.

Andei por um ou dois minutos e encontrei o que queria: o banheiro feminino. Corri para ele evi outra porta, saí por ela e pude ver a alguns metros dali os elevadores.

Percebi naquele momento que no fundo eu tinha sorte, não sabia o que poderia estar me esperando naquele lugar, mas iria aproveitar cada experiência que tivesse.

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O percurso de cinco horas era exatamente o que eu esperava: cansativo e sonolento. Eu me despedira de Melissa e 
Harry e me doeu um pouco perceber que já havia me apegado a eles naquele curto período de tempo, principalmente da mãe de Melody que era tão simpática e sorridente. Agora eu já havia chegado a City Kiss; chovia e eu achava hilária adoro esse tempo.

Avistei ao longe o carro do pai de Melody e o que também ajudou foi que Melissa disse que ele era policial e eu vi seu carro da polícia e ele encostado me esperando.

Respirei fundo e fui em sua direção sabendo que minha aventura estava apenas começando.