terça-feira, 27 de novembro de 2012

Capítulo 07


As demais aulas passaram rapidamente, mas eu também pouco prestava atenção nelas,queria falar logo com Nathaniel,saber o que estava acontecendo com ele,e ainda tentaria ver se consigo mandar uma menssagem para Melody de novo.Imaginava que se ela também tivesse sido obrigada a ir à escola já devia ter feito alguma amizade e torcia por aquilo; não sabia quanto tempo poderíamos ficar em vidas que não nos pertenciam, mas desejava que ela fosse o mais feliz que pudesse pelo tempo que estivesse em meu lugar.
Enquanto ia para o refeitório eu observava Rosalya se sentar ao lado de Peggy e me perguntei como Melody estaria se saindo com minha mãe que costumava ser tão parecida com aquela sua amiga mais comunicativa e foi então que me dei conta de outra coisa que deixara passar.
– Castiel está olhando para você - cochichou Rosalya me tirando bruscamente de meus pensamentos. Castiel estava olhando para mim?
Pensei ter entendido errôneamente suas palavras e me virei num átimo para a mesa em que ele estaria.
Como Rosalya havia dito, assim que virei o rosto pude ver os olhos dele seguindo cada movimento que eu fazia. Será que ele sabia o quanto eu estava com medo dele? Ontem enquanto estávamos no banheiro eu realmente sentira que poderia morrer facilmente.
Voltei meu olhar para a bandeja a minha frente e tentei controlar minhas suspeitas para que Castiel não tivesse mais coisas para fofocar sobre mim.
– Você é corajosa de encará-lo depois do que aconteceu ontem - disse ela sem conseguir segurar seus comentários por muito mais tempo - eu mesma não sei nem se conseguiria voltar a ficar no mesmo ambiente em que ele estivesse.
Eu queria dizer a ela o mesmo que havia dito a Armin mais cedo, mas acabei tendo uma idéia que queria colocar logo em prática.
– Hum - disse e parti logo para o ataque. - Rosa, eu sei tão pouco sobre você, me conte mais sobre sua vida - sorri tentando parecer interessada.
Ela não precisou de um convite maior que aquele para começar a discurssar sobre seus hábitos, passatempos e etc. 
Quando o sinal bateu eu fui para minha sala, batendo um papo agradável com Armin e Alexy; quando Armin não tentava me passar cantadas sem-graça ele era bastante simpático e fácil de conversar.
– Então você nunca tinha vindo para cá? - perguntou Alexy a certa altura.
– Na verdade não, mas ouvi falar tanto daqui que sinto como se já conhecesse toda a cidade...
– Que legal. E onde você morava havia mesmo tantas praias como dizem? - Perguntou Armin.
– Muitas delas, uma mais linda que a outra! Eu fui poucas vezes, preferia mesmo ficar em casa, porque me queimo muito facilmente, mas acho que não existe nada mais magnífico que o mar... - disse, lembrando exatamente da imagem do sol esquentando a areia, da água fresca, das pessoas se divertindo à volta, como se a vida não fosse nada além daquilo.
– Você parece sentir muitas saudades - comentou Alexy provavelmente percebendo minha expressão realmente saudosista.
Nós já havíamos chegado à sala, lhe respondi enquanto passávamos pela porta.
– E sinto - concordei. Meu olhar então recaiu inevitávelmente sobre um garoto de cabelos ruivos, sentado ao lado de uma cadeira vazia .Castiel. Eu havia me esquecido completamente de que tínhamos biologia juntos. - Mas aqui as coisas às vezes são tão interessantes e estranhas que acabo me esquecendo de lá - completei enquanto o observava.
Olhei para Armin e Alexy, feliz por perceber que ele parecia não entender nada de que eu falava; sorri para ele e me encaminhei para a mesa do professor, disposta a me apresentar.
O sr. Banner me deu as boas-vindas à sua sala e eu agradeci. Ele me passou o livro que usaríamos em classe e depois me mandou sentar. Me virei e por algum milagre havia uma cadeira vazia no fundo da sala. Já fazia algum tempo que o sinal tinha soado então provavelmente ninguém mais chegaria para ocupá-la. Fui andando decidida para lá quando o professor chamou minha atenção.
– Anne, sente-se aqui ao lado de Castiel, será mais fácil para você se atualizar se ficar na frente. - disse ele.
Droga, droga, droga professor, porque o senhor não podia simplesmente ter me deixado sentar onde eu queria?
Eu me virei devagar e voltei para a carteira onde ele estava sentado. Ocupei meu lugar e peguei minhas coisas disposta a fazer o que o professor dissera ‘me atualizar na aula’.
O sr. Banner iniciou a aula dando uma grande explicação sobre Mitose, que seria a próxima matéria que estudaríamos. Eu anotava quando necessário, já havia estudado aquilo antes, mas não custava nada relembrar - e evitar ao máximo me lembrar de quem estava ao meu lado.
Depois de quase vinte minutos discursando ele nos passou uma série de exercícios do livro para fazermos e entregarmos na próxima aula e se sentou em sua mesa ocupado com alguns papéis que estavam ali.
Eu comecei a escrever meu nome em uma folha à parte onde colocaria as respostas das questões e sem querer acabei borrando meu sobrenome. Procurei pelo corretivo em meu estojo, mas antes que pudesse encontrá-lo uma mão muito branca me estendeu o que eu queria.
– Use - foi só o que Castiel falou enquanto colocava o frasquinho do meu lado da mesa.
Eu peguei o objeto devagar, esperando que não desse para notar meu iminente nervosismo e o usei rapidamente.
– Obrigada - falei enquanto o devolvia para Castiel.
Ele não respondeu, apenas continuou a resolver seus exercícios em silêncio. Eu fiz o mesmo, agora porém sem conseguir evitar meus pensamentos que me alertavam de sua presença a cada cinco minutos. Ele estava sentado na extremidade de nossa carteira; eu estava confusa e frustrada por não entender a razão que o fizera ser legal comigo desse jeito. Será que eu havia interpretado mal suas atitudes ontem? E se não tivesse, como ele poderia estar ao meu lado agora,sem me tratar mal,ou fazer suas ignorâncias comigo?
O sinal então bateu, cedo demais, e eu comecei a guardar minhas coisas sem ver ao certo o que fazia. A próxima aula seria educação física; eu não gostava particularmente daquela matéria, mas sabia que se me esforçasse conseguiria notas boas o suficiente para fechar o semestre.
Estava pronta para ir, me virei em direção à porta e destanquei onde estava.
Castiel ainda estava ali, ao lado da entrada. Eu não percebera até que olhei em sua direção. A sala estava vazia exceto por nós dois.
Eu o encarei, seus olhos estavam claros, de um dourado atraente, mas que me deu arrepios; ele estava bem na frente da porta me olhando... Senti um calafrio enquanto imaginava o porque de ele ainda estar ali,sabia que teria de agir como uma pessoa normal e sair da sala; ou pelo menos tentar sair.
Coloquei a mochila nas costas e olhei para baixo enquanto andava em sua direção; eu não tinha coragem suficiente para continuar olhando-o e sabia que se o fizesse não conseguiria acertar os passos.
Fui chegando ao portal, esperando que em algum momento ele desaparecesse como fizera na véspera, mas ele continuou parado onde estava.
Ótimo, agora sim eu morro, mas pelo menos pude ter a chance de vivenciar esta experiência maluca e irreal, pensei numa alegria sem sentido.
Por fim eu já estava há menos de um metro dele que continuava parado onde estava.
Respirei fundo o mais disfarçadamente que pude e levantei minha cabeça para olhá-lo.
Tente parecer normal, falei para mim mesma, faça o que uma aluna qualquer faria.
– Com licença? - falei sentindo minha garganta seca.
Ele continuava a me olhar e pude ver sua expressão se suavizar à medida que os segundos passavam. Finalmente então ele falou e eu me arrepiei ao ouvir sua voz rouca novamente.
– Você tem medo de mim? - perguntou ele.
Eu fiquei muda, completamente dura onde estava. Não conseguia encontrar as palavras para lhe responder. Porque ele estava me perguntando aquilo de uma forma tão calma? Era como se ele tivesse descoberto tudo o que eu pensara e sentira nos últimos minutos...
Fiquei quieta onde estava, sem conseguir desviar o olhar de seu rosto. Castiel se aproximou de mim inesperadamente e eu senti uma vontade incontrolável de gritar por ajuda, pois só o que conseguia imaginar era que ele estava prestes a me matar. Qual seria a outra explicação para ele agir daquela forma com uma pessoa que mal conhecia e que poderia muito bem espalhar para todos o relato sobre sua atitude estranha?
– O que você tanto teme? - perguntou, agora a poucos centímetros de mim.
Eu me vi presa de seu olhar hipnotizante e falei sem pensar.
– E-Eu não... - Castiel ainda me olhava com intensidade. 
– Olha,eu não costumo fazer isso,mais eu quero pedir desculpas,pelo modo que falei com você ontem.
– Tudo bem.
– Òtimo,até mais novata! - Disse ele saindo,quase tive um infarte agora,o que que tá acontecendo comigo gente?
Depois disso fui para o terraço da escola,no primeiro episódio com Castiel,ele te leva pra lá,só que ele pega as chaves na sala dos professores,só que eu não prescisei fazer isso por algum motivo já estava aberto,então entrei,mais não estava sozinha,Nathaniel estava sentado num muro,eu cheguei perto dele.

– Oi Nath.
– Oi Anne.
– Por que você e o Armin tavão estranhos um com o outro?
– Sério que você não sabe?
– Não,e o que é que é isso na sua mão? - Perguntei me referindo a alguma coisa que ele segurava,parecia uma foto.
– Achei uma foto sua quando tinha 5 anos tocando guitarra. - Disse ele rindo.
– O QUE??
– Foi difícil mais eu consegui. - Disse orgulhoso.
– Me dá essa foto!! - Disse tentando pegar a foto.
– Não,você era bem mais fofinha quando era pequena Anne! 
– Me dá isso! - Disse tentando pegar a foto de novo,mais dessa vez ela acabou caindo lá em baixo.
– Pode deixar que eu pego.
– Agente tá a metros de altura,é impossível você pular da qui e sair vivo,e se você descer pelas escadas vai demorar,e alguém vai pegar antes.
– Eu vou pular.
– O que?Não mesmo você... - Nathaniel me beijou,por alguns segundos.
– Eu te amo Anne. - Disse isso e pulou.

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