sábado, 24 de novembro de 2012
Capítulo 06
A estrada estava mais seca do que da última vez que eu dirigira por ela, mas eu tinha tantas coisas indo e voltando em meus pensamentos que mantive a mesma atenção nas ruas,o tempo daqui era bem estranho uma hora tava calor e outra hora tava frio.
Eu estava em Amoris City há pouco menos de dois dias e já me via com mais obrigações do que costumava ter em minha outra vida - se é que eu podia chamá-la assim.
Eu tinha de me acostumar com o hábito de lavar as roupas e fazer outros afazeres da casa; meus pais pagavam uma empregada para fazer tudo isso por nós, já que eles mal ficavam em casa. Eu passava alguma parte de meu tempo observando Marcela fazer as tarefas diárias e às vezes até pedia para lhe ajudar, pois não me sentia confortável de ficar parada enquanto ela limpava a bagunça que eu fizera. Minha mãe nunca soubera disso, é claro, mas agora eu ficava ainda mais feliz que tivesse aprendido algo, pois teria de me virar sozinha em boa parte das coisas daqui pra frente.
Esta era a parte fácil, por assim dizer. A outra parte se chamava ‘preparar as refeições’. Wen não havia me pedido para cuidar daquilo - nem de nada ainda, para falar a verdade -, mas eu sabia muito bem que seria mais saudável se eu cozinhasse ao invés de comer o que ele poderia querer fazer. Além do mais eu poderia escolher ingredientes que eram compatíveis com minha dieta e até tentar convencer Wen a consumir coisas diferentes das que ele estava não acostumado...
Quando estacionei a picape em frente a casa eu percebi que havia uma outra coisa rondando meus pensamentos da qual eu não poderia fugir por muito mais tempo.
Eu tivera uma manhã surreal para uma fã de Amor Doce como eu era, mas no fundo eu estava mais preocupada do que feliz. A pequena felicidade se devia lógicamente ao fato de eu ter visto todas aquelas pessoas que até agora eu só tivera a chance de imaginar... Cinco delas me animaram mais que as outras, na verdade. Pelo curto tempo que encarei a mesa de Castiel e Lysandre eu ficara tão desconcertada com o que causara à Castiel que mal pudera me deixar levar pelas outras emoções que apareceram ao fitar os rostos perfeitos que haviam ali.
Eu vira Lysandre novamente, sentado ao lado de Castiel escrevendo em seu bloco de notas.Nathaniel era um garoto bonito e ainda por cima engraçado,mesmo brigando com ele é impossível não rir,apesar que no jogo ele era mais certinho,e enm um pouco engraçado.
Ainda estava com todas aquelas dúvidas quando entrei na casa. Fora então que eu tivera uma idéia que parecia ser a mais promissora no momento; eu fui em direção à lavanderia e deixei o suéter ali decidida a lavá-lo mais tarde, depois subi rapidamente para o quarto e coloquei a mochila em cima da cama enquanto me virava para a mesinha com o computador que Wen arranjara para Melody. Não importavam quais fossem as minhas dúvidas eu sempre encontrava uma resposta pelo menos parcial para todas elas na internet.
O computador não era dos mais rápidos, eu me vi entediada somente de esperar ele ficar razoavelmente pronto para o uso. Por fim eu pude abrir a telinha da internet e pesquisar o que queria.
Fui primeiro ao assunto mais crucial e que consumia mais minha atenção e curiosidade. Pensei em uma forma de poder encontrar o que queria e acabei digitando Amor Doce porque não encontrara nenhuma forma mais curta de expressar minhas dúvidas. É claro que não surgiu nada coerente nas respostas.
Acabei encontrando ótimas receitas de pratos vegetarianos e não muito extravagantes e anotei-as rapidamente. Resolvi fazer a mais fácil de todas porque não estava a fim de sair à procura de um supermercado naquele momento. Desliguei o computador e desci para lavar as roupas até que pudesse atingir um horário aceitável para preparar o jantar.
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Wen olhara desconfiado para a comida que eu lhe servira, mas pela sua cara ele acabara gostando e ficara feliz que eu fosse cuidar daquela parte em que ele não costumava ser dos melhores. Eu sorrira e dissera que era o mínimo que poderia fazer por ele ter me aceitado ali - e se não quisesse ter uma indigestão mais tarde, mas aquela razão, é claro, eu guardara para mim mesma.
Agora eu já estava de volta ao quarto, deitada na cama enquanto o sono não vinha. Ouvi então um barulho familiar vindo de dentro do guarda-roupa e levantei a cabeça curiosa. O mesmo ruído se repetiu baixinho e eu fui em direção a ele; assim que abri uma das portas de pinho pude ver meu celular piscando a luzinha de mensagem.
– Pensei que você não estivesse mais funcionando - comentei enquanto abria o teclado luminoso e selecionava a caixa de mensagens. Eu sempre as apagava e agora podia ver que haviam três novas que eu não notara antes, de um número desconhecido.
Abri a mais antiga e comecei a ler atenta.
‘Annabele se você estiver lendo esta mensagem, por favor, me responda. Melody.’
Melody... Oh, caramba, MELODY?
Abri a outra mensagem rapidamente agora muito surpresa.
‘Annabele eu sei que este é seu número, encontrei no celular de sua mãe, por favor, me responda. Eu preciso saber que você existe mesmo, não me lembro de ter lhe conhecido, mas todos aqui dizem que nós mudamos de casa por um tempo... É tão confuso. ME RESPONDA, por favor! Melody.’
Eu estava pasma acima de qualquer outra coisa. Não podia ser, Melody estava me mandando mensagens? Respirei fundo e abri a última que fora recebida há apenas alguns minutos.
‘Annabele eu sei que você pode estar me ignorando, pode estar que eu sou mais uma invenção, já que tudo isto parece ser tão estranho e irreal, mas EU SOU DE VERDADE! Se estiver lendo esta mensagem, por favor, me responda... Se você sabe como eu vim parar aqui me diga porque eu mesma não entendo nada! Melody.’
Meus dedos tremiam enquanto eu relia cada palavra que ela escrevera. Tive que me sentar e controlar minhas emoções antes de começar a digitar a resposta.
‘Melody - escrevi– eu estou aqui. Não respondi suas mensagens antes porque somente agora percebera que você as enviara. Meu celular não estava funcionando e estou surpresa que ele esteja bom agora. Eu estou tão confusa quanto você, acredite! - Eu tinha tanto mais para dizer a ela, além de tudo aquilo eu estava falando com Melody, uma de minhas personagens preferidas, mas deixei para enviar somente o que era necessário.– Me responda assim que puder, Anne.’
Selecionei a opção ‘enviar’ e fechei os olhos torcendo para que a mensagem chegasse à ela.
Melody havia dito que pegara o número de meu celular com minha mãe o que significava que ela realmente estava em meu lugar, em minha vida... Me senti um pouco mais calma por descobrir que eu não era a única a passar por tantas coisas novas e inexplicáveis. Pelo tom de suas mensagens ela parecia ainda mais confusa do que eu estava no momento, mas não era pra ser diferente. Eu sabia tudo sobre ela, enquanto Melody nunca ouvira falar de mim em toda sua vida. Devia ter sido um choque muito maior para ela ter se visto de repente perdida em um país tão diferente do seu próprio.
Me vi pensando em lhe contar sobre ‘Amor Doce’, tentar lhe dizer que ela era personagem de um jogo,que não era real... Eu teria esperanças de que ela compreendesse, mas sabia que isto dificilmente aconteceria.
O barulho da mensagem voltou a soar e minha mão voou para o celular.
‘Então você realmente existe? Bem, isto talvez signifique que eu não estou louca... Mas porque então todos aqui agem como se fôssemos amigas e tivéssemos combinado de trocar de lugar? Eu não me lembro de nada disso! A última coisa de que me lembro é de estar voltando da escola e de começar a atravessar a rua no mesmo momento em que um carro vinha em minha direção. Depois disso acordei aqui... É informação demais para mim, é só o que posso dizer! - Mell.’
Eu não acreditava. Melody passara pelo mesmo que eu, o mesmo tipo de acidente acontecera com ela...
– Acredite, eu estou tão confusa e surpresa quanto você - falei comigo mesma.
Ouvi uma batida na porta e escondi o celular entre as cobertas sem saber bem o porquê.
A cara de Wen apareceu no portal e ele me encarou meio desconfiado.
– Está falando sozinha? - perguntou enquanto olhava ao redor do quarto procurando por outra pessoa.
– Eu faço isso às vezes - dei de ombros tentando parecer indiferente. Eu nunca poderia contar a Wen que estava me comunicando com sua filha porque sabia que ele iria querer falar com ela também e naquela situação era melhor que isto não acontecesse. Já era difícil ter de falar com Melody, que vivia o mesmo drama que eu, imagine ter de contar a verdade absurda para seu pai que mal desconfiava da realidade?
– Hm... Está bem, boa noite.
– Boa noite, Charlie - respondi enquanto ele voltava a fechar a porta. Eu sabia que mais tarde ele voltaria sorrateiramente para ver se eu estava dormindo e se estava mesmo sozinha.
- Boa Noite querida,durma bem! - Disse Carol saindo da porta,sorri pra ela,e foi embora.
Eu abri o celular pronta para mandar uma nova mensagem à Melody, mas logo que comecei a digitar o aparelho pifou novamente.
– Que droga - sussurrei -, porque você tem de inventar de falhar justo agora?
Fiquei ali por consideráveis minutos enquanto esperava que o sinal voltasse, mas nada aconteceu. Por fim eu já estava cansada o bastante para ir dormir e decidi tentar falar com Mell pela manhã.
Parecia que mesmo que conhecesse aquela história como ninguém eu sempre me surpreendia com o que via, agora eu sabia muito bem quão grande era a diferença entre imaginar e presenciar algo.
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Abri os olhos e encarei o teto baixo de meu novo quarto. Tinha sonhado com os últimos momentos que tivera no Brasil e com as pessoas de que sentia falta; podia até mesmo sentir meu coração batendo apertado em meu peito por conta de toda a saudade que já sentia de todos eles... O que significava tudo aquilo? Me vi perguntando outra vez, mas sem nenhuma resposta. Se fora a minha paixão pelo jogo que me levara até ali tudo o que eu podia fazer era viver cada dia até que pudesse encontrar uma maneira de voltar para casa e trazer Melody de volta para o lugar ao qual ela pertencia.
– É, vou viver um dia de cada vez e não mudarei mais nada nesta trama.
Levantei decidida e fui tomar um banho quente para me acalmar. Aproveitei para lavar meus cabelos que já estavam começando a ficar oleosos. Eu os mantinha sempre num corte muito grande e bastante lisos e pretos. Eu me parecia mais com meu pai nesta parte, já que minha mãe era completamente loira.
Abri o guarda-roupa e peguei qualquer coisa para vestir. Quando desci Wen já havia saído para o trabalho e percebi que não poderia demorar se não quisesse ficar atrasada para a escola. Comi cereais com leite, escovei os dentes e saí mais uma vez para a manhã fria.
Encontrei a escola com muito mais facilidade; estacionei na primeira vaga que avistei e segui para a escola depois de avistar o Volvo estacionado há uma boa distância de onde eu havia parado. Aquilo não significava que Castiel estivesse ali.Eu não sabia dizer se preferia que fosse ele o motorista aquela manhã, não sabia se teria coragem de sentar ao seu lado na aula de biologia que teria aquele dia.
Eu havia checado o horário antes de sair, pois não queria ter de ficar consultando o papelzinho que a secretária me dera a cada final de aula. Me encaminhei para a aula de Inglês e percebi que as pessoas me encaravam tanto quanto haviam feito ontem. Eu não começara nada bem; já chamava atenção por ser nova na cidade, ainda tinha o fator que todos ali estavam roendo as unhas para tentar entender a razão de eu e Melody terem trocado de lugar, provavelmente imaginando um milhão de coisas horríveis com relação ao pobre do Wen... Acima de tudo isso então estava o showzinho que eu lhes providenciara com um dos alunos mais lindos da escola. Estava me achando boba por sequer imaginar que àquela altura as pessoas já tivessem se cansado de me encarar já que elas agora deveriam estar me achando ainda mais interessante de se observar...
Entrei na sala de cara fechada enquanto os alunos acompanhavam cada um de meus movimentos. Eles tinham sorte de que eu tivesse prometido a mim mesma que me esforçaria para acompanhar a história, caso contrário já teria mandado todos para o espaço por serem tão indelicados com sua curiosidade irritante.
– Olá Anne- ouvi alguém dizer e não precisei me virar para ver quem era,e era Armin.
– Olá Armin - tentei parecer simpática e ao mesmo tempo breve em meu cumprimento.
– Você não se importa se eu lhe chamar assim não é? Ouvi falar que você corrigiu aqueles que lhe chamaram pelo seu nome completo...
Aquilo era verdade, eu dissera para Rosalya e Violett que preferia ser chamada de Anne, era mais curto e fácil de pronunciar.
– Não, tudo bem, eu prefiro Anne- respondi num tom leve.
– Você parece estar muito bem, imaginei que não fosse aparecer na escola por uns dias depois do Castiel ter falado com você daquela forma no meio do refeitório - disse ele procurando puxar assunto, imaginei.
Então eu não estava errada, as pessoas realmente haviam visto tudo e deviam estar com o mesmo pensamento de Armin. As notícias nesta escola pareciam se espalhar rapidamente então decidi responder de uma maneira que servisse para Armin e para as demais pessoas com quem ele resolvesse compartilhar nossa conversinha.
– Não vejo porque, não é uma cara feia ou uma troca de palavras mal-educadas que me farão desistir de vir à escola, é preciso muito mais que isso para me assustar - falei e sorri em seguida esperando que depois disso ele e quem mais fosse parasse de me me julgar de uma forma tão simples e errônea.Nathaniel chegou na sala,me viu converssando com Armin e por algum motivo fez cara feia,os dois se encararão.Armin iria falr alguma coisa,mais o professor chegou na sla e ele não pode dizer mais nada,não entendi a reação de Nathaniel,vou converssar com ele depois.
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