sábado, 24 de novembro de 2012
Capítulo 04
Acordei com o sol batendo no meu rosto. Olhei pensativa para a janela, naquele quesito em especial eu estava em Amor Doce, não gostava muito do sol,prefiro o clima frio e seco,mas era melhor começar a me acostumar.
Levantei-me e tomei banho antes de descer para o café. Antes de dormir eu havia arrumado as coisas para levar à escola, usaria a mesma mochila que havia trazido com as roupas de Melody na véspera, provavelmente a que ela também escolheria se estivesse em meu lugar.
Wen e uma mulher loira já estava sentado à mesa tomando seu café. Eu dei bom-dia e ele me indicou o cereal e o leite para que eu me servisse. Acabei comendo algumas torradas também.
- Anne essa aqui é Carol,minha noiva.
- Prazer.
- Nossa você tá tão fofa com essa roupa da Melody!! - Disse ela sorrindo e babando.
- Ah,obrigada...Eu acho.
Logo estava na hora dele sair para o trabalho, me desejou boa sorte com a escola antes de fechar a porta.Depois que pude ouvir o barulho da viatura se distanciando comecei a sentir o nervosismo no fundo de meu estômago.
– Eu poderia fingir estar passando mal e faltar hoje - falei pra mim mesma, mas depois ignorei a idéia.
Era ridículo que eu estivesse ansiosa de encontrar um monte de pessoas que até onde eu sabia deveriam ser de mentira, mas eu estava. Talvez fosse só o medo de não ser aceita... Eu conhecia aquela história muito bem, poderia dar um jeito de ficar mais calma.
Resolvi subir para pegar minha mochila. Eu usava blusa de manga longa que estava dobrada e suéter meio rosa,vermelho nãos ei definir bem,uma saia um pouco rodada preta, uma meia até os joelhos preta e uma sapatilha.Por fim já estava tarde o suficiente para que eu pudesse sair. Peguei as chaves em cima da mesinha do computador e parti para a porta da frente.
Logo que cheguei à picape, porém voltei a ficar ansiosa e animada. Iria dirigir sozinha sem meu pai me dando ordens a cada minuto. O cheiro da caminhonete era mais agradável do que eu pensara ser possível; tabaco e gasolina em sua maioria.
Respirei fundo e girei a chave na ignição. O barulho ensurdecedor me fez pular no banco de susto, era a única coisa que eu gostaria de poder evitar. Chamava muita atenção, me senti ainda mais dirigindo uma arma de ataque e comecei a rir com a idéia. Depois tentei me acalmar para manobrar o carro em direção à rua.
– Vamos lá, Anne você já fez isto um milhão de vezes com um carro menor e bem menos ruidoso é claro, mas mesmo assim não deixa de ser um carro...
A direção era mais dura do que a do carro de meu pai obviamente, mas preferi assim porque precisaria de atenção dobrada e eu teria menores chances de causar qualquer acidente.
Acabei pisando fundo no acelerador enquanto seguia pela rua molhada e passei de raspão pela caixa de correio de um de nossos vizinhos. Por sorte a rua estava vazia naquele momento e eu fiquei rezando para que ninguém fosse contar a Wen que suas suspeitas com a minha forma de dirigir poderiam estar corretas.
Enquanto virava a esquina me dei conta de uma coisa crucial: eu não sabia onde ficava a escola.
– Droga! Vou dirigir até o infinito antes de acertar o caminho - resmunguei.
Avistei uma mulher vindo em minha direção na calçada, com um saco de compras nas mãos e resolvi lhe pedir alguma informação, afinal quem tem boca vai à Roma. Ela foi bastante simpática e tentou me explicar da melhor maneira que pôde, pelo que parecia não era muito difícil de encontrar, era só seguir a estrada principal. Agradeci e segui para a direção que ela indicara, desta vez acelerando um pouco mais com medo de acabar chegando atrasada em meu primeiro dia de aula.
Foi neste momento, enquanto estava concentrada em meus penssamentos que quase bati em um carro que fazia a ultrapassagem, entrando à minha frente. Eu não havia notado ele passar rapidamente por mim e quando percebi já estava a centímetros de seu pára-choque traseiro. Freei bruscamente e afundei a mão na buzina sem querer chamando a atenção até mesmo dos pedestres à minha volta.
Só então olhei para a frente e notei o formato do carro, sua cor, e por último a marca: as letras formando a palavra Volvo podiam ser lidas enquanto brilhavam com o restante do chassi.
Tive que colocar as duas mãos no volante segurando-o com força para continuar na estrada. Enquanto o carro se distanciava de mim atingindo uma velocidade que eu não podia alcançar com aquela picape eu pude ver alguém olhando rapidamente pelo espelho retrovisor do lado do passageiro; um par de olhos bicolores que logo voltaram a focar a frente da estrada. Reconheci Lysandre no mesmo instante e tive que respirar fundo para controlar minhas emoções.Agora eu confirmara de quem se tratava e tive a resposta para minha pergunta: sim, os personagens do jogo existiam ali também e agora deveriam me achar a pessoa mais desastrada do planeta.
Eu ainda podia avistar o carro ao longe e continuei dirigindo com mais cuidado ainda - se é que era possível - enquanto os seguia esperando que estivessem indo à escola como eu estava, assim eu não teria como errar o prédio.
Menos de cinco minutos depois eu já podia avistar uma construção grande e promissora. Enquanto desacelerava vi a placa de identificação e suspirei aliviada por ter chegado ao lugar certo,o colégio era realmente enorme.
Adentrei o estacionamento e parei o mais perto que pude da entrada da escola para que pudesse evitar me molhar desnecessariamente. Respirei fundo e peguei a mochila nervosa com o que ou com quem poderia me deparar naquele dia. Sai da picape trancando-a e avancei para debaixo do telhado mais próximo. Foi então que me lembrei que havia me esquecido de uma coisa.
– Droga! - Reclamei ao ver que teria de voltar o caminho todo que fizera em direção à secretaria para pegar meu horário escolar.
– Precisa de ajuda? - Ouvi alguém dizer e me virei para ver quem era.
Me deparei com um garoto moreno de olhos azuis sorrindo para mim de forma simpática. Armin? Senti uma vontade imensa de pular no seu pescoço e abraça-lo durante toda a eternidade.
– Está tudo bem, obrigada - respondi sem conseguir evitar uma risadinha.
– Você é Annabele Chase não é?
– Só Anne- sorri tentando parecer simpática.
– Ouvi falar,você e Melody trocaram de lugar não é?- Comentou ele confuso.
– È sim.– respondi. - Armin tenho que ir agora, estou com um pouco de pressa.
– Como sabe meu nome? - Perguntou ele, me pegando de surpresa.
Simples, pensei, eu sei praticamente tudo sobre você e sobre qualquer outra pessoa desta cidade que tenha aparecido no jogo, eu sei mais sobre vocês do que vocês mesmos e agora estou aqui vivendo uma história que não é minha e quase batendo em um certo carro prateado e carro do qual eu pretendo manter distância a partir de agora...
– Hmmm... – E agora como eu sabia o nome dele? Ou como eu, pelo menos, poderia dizer que sabia de uma forma plausível? Avistei um grupo de alunos que olhava em nossa direção de forma curiosa e tive uma idéia que poderia ser convincente. - Eu ouvi quando seu colega lhe chamou assim - respondi torcendo para que ele acreditasse.
Armin me olhou quieto por alguns segundos mas depois sorriu novamente e eu suspirei de alívio por ele ter caído nessa. Antes que pudesse falar mais alguma coisa eu acenei e fui correndo em direção à sala dos representantes.
Cheguei bati na porta,e entrei,ali encontrei um menino loiro dos olhos ambeas:Nathaniel,tinha certeza.Ele me olhou surpreso e logo abriu um sorriso"Típco dele" ele me entregou os papéis de que eu precisaria para aquele dia e eu voltei para o lugar onde falara com Armin há alguns minutos. Pude avistar um carro brilhante ali perto; eu havia realmente estacionado bem longe do famoso Volvo de Alguém e fiquei feliz pela coincidência.
Meu horário me informou que minha primeira aula era no prédio três como eu já imaginava, pelo menos não tive muitos problemas para identificar o local já que haviam os famosos números indicando cada parte da escola.Acabei esbarrando em alguém,quando vi era um garoto,de olhos verdes e cabelo castanho,usava roupas de militar, já sabia quem era:Kentin.
- Me desculpa Kentin.
- Não foi nada,espera ...Como sabe me nome?
- Posso dizer que apenas sei. - Disse isso e sai acorrendo,não sabia o que dizer pra ele.
Encontrei minha sala e segui decidida para ela. Sabia que ficar nervosa não me ajudaria em nada além de talvez pagar micos ou causar outro quase acidente.
Quando entrei percebi pela primeira vez como a sala era realmente muito menor do que as outras em que eu já havia estado. Fui até o professor que me olhou interessado quando cheguei ao seu lado.
– Annabelle Chase? – Indagou.
Quase toda a classe se virou interessada para o lugar em que eu estava.
Comecei a cogitar a idéia de andar com uma plaquinha de neón acima de minha cabeça onde estaria escrito: ‘Oi,eu sou a novata!’.
– Sim. – respondi.
O professor me fitou por alguns segundos, mas logo me passou um papel com os livros que eu teria de ler para sua aula e me mandou escolher um lugar para sentar.
Agradeci a ele e a Deus por ainda haverem carteiras vazias no fundo da sala onde eu poderia evitar os olhares que eu recebi quando entrei na escola.
Estava tranquila, acho que não teria tantos problemas assim,mais sei que algum dia vou acordar desse sonho,se isso realmente for um sonho,e vou voltar para minha vida chata e normal.
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